Mesmo quando uma convenção ganha autonomia técnica, como o GPS não depender do Império Britânico para funcionar, não quer dizer que não tenha efeitos simbólicos no presente.
Nenhum mapa é reprodução neutra da realidade... Todo mapa seleciona e omite informações, define escala, escolhe projeções, estabelece centro, nomeia territórios, decide fronteiras, hierarquiza elementos visuais, e etc. Todo sistema de signos carrega enquadramentos culturais e cognitivos. Um mapa é uma interpretação organizada do espaço, não é o espaço em si.
Se eu escolho pôr Israel no mapa-múndi, eu estou sendo ideológico... Se eu escolho não colocar, eu também estou sendo ideológico. Se eu escolho colocar Kosovo no mapa, eu estou sendo ideológico; mas se eu apagar Kosovo e pôr como parte da Sérvia, também estou sendo. Se eu ponho Crimeia como parte da Ucrânia, estou sendo tão ideológico quanto se eu colocasse que é parte da Rússia. E por aí vai. Se eu decido que o Meridiano de Greenwich fica no Reino Unido, é uma decisão ideológica... Se eu escolho uma projeção que distorce os polos, eu estou sendo ideológico.
Pode ser tecnicamente útil, mas não é isento de ideologia. Nenhum discurso é.