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em Outras Tecnologias por (318K pontos)
Quem se irrita com o Brasil “de cabeça para baixo” provavelmente não entendeu uma das primeiras lições da geografia: norte para cima não é uma lei da natureza, é apenas uma convenção cartográfica.
A Terra é uma esfera. No espaço, não existe “em cima” ou “embaixo”. Norte, Sul, Leste e Oeste são apenas referenciais criados para facilitar localização e orientação. Por isso, virar o mapa do Brasil não muda absolutamente nada: os estados continuam no mesmo lugar, as fronteiras permanecem iguais e o país segue exatamente o mesmo.

5 Respostas

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Melhor resposta
Sim, eu falei sobre isso na época.

O pessoal gosta de falar de quem acredita em Terra plana, mas falar que o mapa “de cabeça para baixo” está errado do ponto de vista físico e/ou cartográfico é igualmente grave... E eu não estou utilizando de hipérbole.

Outra crítica que eu vi foi que era “mapa ideológico” como se todo mapa não fosse ideológico. Todo mapa reflete visão de mundos, valores, recortes da realidade e relações de poder... O fato de decidir representar o norte em cima e o sul em baixo ou vice-versa é uma decisão ideológica, ainda que uma seja mais consensual (ou hegemônica) do que outra. Todo discurso é ideológico, não existe discurso neutro.
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Faça a dancinha da vitória: sua resposta foi escolhida como a melhor. laugh

por (318K pontos)
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com certeza tudo tem o dedo da política

todos querem um mapa que os destaque,
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por (137K pontos)
E outra, representações cartográficas existem aos montes. Só quem reclama desse tipo de coisa são as hordas de desocupados educados à tiktok
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Gostei disto aí

^^

Eis uma forma fácil de mudar o mundo...rs
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por (104K pontos)
Sim, isso é verdade.

Existem mapas à venda que são ao contrário; é até legal.

Mas o que não gosto é que assim a Argentina fica acima de nós.
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Parece que o pessoal não sabe para quê serve um mapa. Vamos parar de viajar na maionese e voltar para a terra firme.

Embora o ponto de vista físico e astronômico esteja correto, e a Terra seja um esferoide oblato suspenso no espaço, não possuindo um "acima" ou "abaixo" absolutos, transpor isso para a cartografia e a geopolítica é um erro de categoria.

Existe uma diferença muito importante entre a realidade física do planeta e a função instrumental de um mapa.

Mapas não são apenas expressões de poder ou escolhas ideológicas arbitrárias; eles são, antes de tudo, ferramentas de comunicação técnica e padronização global. A convenção do Norte para cima e o Meridiano de Greenwich no centro não se mantém de forma hegemônica hoje por mero capricho eurocêntrico, mas sim porque a ciência e a navegação global exigem um sistema de coordenadas universal para funcionar.

Propor representações com o Sul para cima ou descentralizadas pode até servir como um exercício acadêmico de retórica ou provocação geopolítica, mas na prática, mais confunde do que ajuda, por vários motivos.

Em primeiro lugar, a cartografia opera sob o princípio da interoperabilidade. Sistemas de aviação, navegação marítima, satélites, meteorologia e softwares de geolocalização (como o GPS) dependem de uma linguagem visual e matemática unificada. Subverter essa convenção exige um esforço desnecessário para reinterpretar dados que já são consensuais mundialmente. O mapa deve facilitar a leitura imediata, e não se tornar um enigma visual para provar um ponto político.

Em segundo lugar, dizer que "todo mapa é puramente ideológico" é tão simplista que ignora a evolução metodológica da geografia. A projeção de Mercator, por exemplo, foi desenhada no século XVI com o objetivo estritamente prático de preservar as direções (linhas de rumo constante) para a navegação marítima, e não para inflar o tamanho da Europa por complexo de superioridade, por exemplo. Confundir distorções geométricas inevitáveis (já que é matematicamente impossível planificar uma esfera sem distorcer áreas ou ângulos) com uma conspiração ideológica deliberada é ignorar os limites técnicos da própria cartografia.

Por último, as convenções existem para gerar ordem e previsibilidade. Escrever um mapa na contramão do padrão globalizado, sob o pretexto de que "no espaço não há direção", é uma atitude tão burra quanto propor começar a dirigir pelo lado esquerdo da pista no Brasil porque a escolha do lado direito é "apenas uma convenção social". Tecnicamente é verdade que é uma convenção, mas violá-la destrói a utilidade pública do sistema.

por (71,5K pontos)
2 0
Eu tinha a impressão de que você iria me mencionar indiretamente, não sei por quê...

Seu texto inteiro confunde funcionalidade técnica com neutralidade simbólica. Convenção técnica não elimina carga simbólica... Convenções também produzem efeitos culturais e políticos, uma coisa não exclui a outra. O próprio Meridiano de Greenwich surgiu num contexto histórico de hegemonia marítima do Império Britânico. Nenhuma decisão é tomada num vácuo.

Há uma série de vantagens de manter convenções como as que você citou, mas concluir que são “puramente técnicos” é uma afirmação que não se sustenta linguisticamente e filosoficamente.
por (114K pontos)
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Mas eu não disse que convenções nascem no vácuo ou que não possuem carga simbólica. O ponto é que a utilidade técnica de um sistema de coordenadas hoje opera de forma independente do seu simbolismo de origem.
por (114K pontos)
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O fato de Greenwich ter surgido sob a hegemonia britânica não torna o fuso horário menos exato ou "ideológico" na prática, certamente não mais ou tão ideológico quanto escrever um mapa na contramão do padrão global para provar um ponto político.
por (114K pontos)
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Um engenheiro chinês e um piloto indiano usam o mesmo mapa. Eles não fazem isso para celebrar o Império Britânico, mas sim porque o cálculo matemático funciona e permite a comunicação global por linguagem padronizada.
por (71,5K pontos)
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Mesmo quando uma convenção ganha autonomia técnica, como o GPS não depender do Império Britânico para funcionar, não quer dizer que não tenha efeitos simbólicos no presente.

Nenhum mapa é reprodução neutra da realidade... Todo mapa seleciona e omite informações, define escala, escolhe projeções, estabelece centro, nomeia territórios, decide fronteiras, hierarquiza elementos visuais, e etc. Todo sistema de signos carrega enquadramentos culturais e cognitivos. Um mapa é uma interpretação organizada do espaço, não é o espaço em si.

Se eu escolho pôr Israel no mapa-múndi, eu estou sendo ideológico... Se eu escolho não colocar, eu também estou sendo ideológico. Se eu escolho colocar Kosovo no mapa, eu estou sendo ideológico; mas se eu apagar Kosovo e pôr como parte da Sérvia, também estou sendo. Se eu ponho Crimeia como parte da Ucrânia, estou sendo tão ideológico quanto se eu colocasse que é parte da Rússia. E por aí vai. Se eu decido que o Meridiano de Greenwich fica no Reino Unido, é uma decisão ideológica... Se eu escolho uma projeção que distorce os polos, eu estou sendo ideológico.

Pode ser tecnicamente útil, mas não é isento de ideologia. Nenhum discurso é.
por (114K pontos)
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Meu ponto nem foi sobre ser ideológico ou não, mas sim sobre a funcionalidade e utilidade do mapa. Como eu disse antes, mapas são ferramentas de comunicação técnica e padronização global.
por (71,5K pontos)
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Sem falar que mapas invertidos não costumam serem feitos para substituir GPS, aviação ou navegação marítima. Eles são usados justamente como crítica visual para mostrar que o “norte para cima” parece natural apenas porque é um modelo que se consolidou... E não necessariamente por ser conclusão inevitável.
por (114K pontos)
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A utilidade de um mapa está na navegação, não na crítica. Transformá-lo em mero panfleto político o torna significativamente inútil. Você mesmo admite que essas representações invertidas são incapazes de operar em sistemas reais, como na aviação, na meteorologia ou no GPS. Isso significa que o mapa foi esvaziado de sua função essencial, que é orientar o usuário no espaço com rapidez, clareza e previsibilidade. Um mapa cujo único propósito é forçar o observador a decifrar um verdadeiro enigma visual para "refletir sobre convenções" sabota a lei mais básica da comunicação técnica, que é a eficiência. Verdade seja dita, um instrumento que requer que você pare para fazer um malabarismo mental antes de usá-lo não é mais um mapa. É apenas uma peça de decoração acadêmica.
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Mapas têm múltiplas funções... Alguns, sim, para propósitos pragmáticos; e outros para propósitos simbólicos, até mesmo para contextos religiosos.

Se você pegar um mapa europeu medieval, muitas das vezes o propósito dele era religioso e/ou teológico para organizar simbolicamente o mundo cristão. Não era um mapa para navegação... E isso não o torna inválido.

Um mapa invertido continua sendo legível, não continua? Você olha para o mapa-múndi de cabeça para baixo e consegue visualizar continentes, oceanos, fronteiras... Não consegue? Você não está decifrando um enigma, só está desacostumado — que é exatamente o ponto do experimento. Não existe essa falsa dicotomia que você criou. A sensação de “confusão” não é propriedade natural do mapa, é produto de familiaridade cultural prévia.  

Se qualquer uso reflexivo ou simbólico do mapa “esvazia” a utilidade, então mapas demográficos, históricos, eleitorais, artísticos, e cartogramas servem para nada, de acordo com essa lógica. Não deveriam estar em sala de aula.

Até a posição que você toma de que um mapa só serve para navegação já é uma definição ideológica do que você considera “útil”.
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É um erro equiparar um mapa teológico medieval (que operava numa era pré-científica onde a cartografia ainda não estava plenamente desenvolvida e estabelecida) com o debate sobre a convenção geométrica moderna do século XXI.

Além disso, não é porque no espaço não há direção natural que toda convenção humana de leitura é puramente um preconceito cultural maleável, e se pode o custo prático da despadronização. Se você colocar uma placa de "PARE" de cabeça para baixo ou pintada de azul, ela tecnicamente continua legível se o motorista parar para analisá-la. Mas ela falha como ferramenta de utilidade pública porque sabota a resposta intuitiva do leitor e o processamento da informação por ele. Por isso, convenções globais de orientação não servem para "doutrinar" o olhar, servem para otimizar o tempo de reação humana.
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Você mencionou até mapas demográficos, eleitorais e cartogramas, mas não considerou que eles não mudam a orientação do Norte ou o sistema de coordenadas globais. O que eles fazem é apenas projetar dados sobre a base cartográfica padrão. Eles adicionam camadas de dados sobre a geografia política já consolidada. Eles funcionam justamente porque a base (o contorno dos países e a orientação) é familiar a todo mundo, porque preservam a orientação padrão (Norte para cima), permitindo que o cérebro do aluno identifique o território instantaneamente e foque nos dados demográficos. Se você inverter o mapa e aplicar dados demográficos em cima, você gera confusão sem ganho algum. Uma mapa qssim não traz dados novos, ele em vez disso apenas subverte a base geométrica por capricho retórico.

E eu nunca disse que mapas temáticos não servem para nada. Eu disse que mapas cujo único propósito é inverter o Norte pelo Sul para fazer provocação política perderam a função essencial, que é a orientação. Definir utilidade com base na eficiência técnica e operacional, como eu fiz, não é ideologia. Isso é o princípio fundamental de qualquer ciência aplicada. A aeronáutica, a navegação e a geolocalização adotam o padrão porque ele otimiza processos e salva vidas.

O mundo real opera sob critérios de eficiência e segurança. Fora das paredes da academia, um instrumento técnico que exige que você faça um malabarismo conceitual antes de usá-lo não é uma revolução cultural, é apenas um design ruim.
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Outra coisa interessante sobre a idade média é que, quando os medievais precisavam navegar e comerciar de verdade, eles não usavam os mapas teológicos que você mencionou. Eles usavam os Portulanos, que eram cartas náuticas rigorosamente técnicas, realistas e pragmáticas. Esses mapas logo substituíram as outras versões, porque elas não tinham utilidade prática.
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Por que não posso comparar com mapas teológicos? Mapas não servem exclusivamente para navegação, de acordo com você? A história da cartografia demonstra que há contextos em que mapas assumem funções não-navegacionais... E frequentemente função simbólica. O fato de não serem mapas operacionais modernos os invalida? Esses documentos históricos deixam de ser mapas?

Ninguém está afirmando que convenções são puramente “preconceitos culturais maleáveis”, e nem propondo substituir GPS por mapas invertidos e/ou despadronizar sistemas aeronáuticos. Mas, como você mesmo admitiu, essas convenções não sugiram do vácuo... Elas se tornaram convenção por uma série de fatores, tanto por utilidade quanto também por dimensão histórica e simbólica. Ninguém pede para que engenheiros substituam mapas topográficos por cartogramas populacionais... São mapas com propósitos diferentes.

Um mapa enquanto representação espacial pode, sim, ser invertido sem problema algum. Você pode argumentar que é contra-intuitivo... Porque você admite que leitura espacial é condicionada culturalmente pelo padrão dominante. Mas como esses padrões tornaram-se hegemônicas? Você mesmo concordou que tais representações não são isentas de ideologia, não é? Mapas, mesmo operacionais e técnicos, estão carregados de escolhas simbólicas. Repito... Não é a mesma coisa que dizer que eles são arbitrários no sentido de intercambiável sem custos, e nem que devem ser abolidos.

Eficiência operacional não é e nunca foi a única régua legítima de cartografia... Essa é uma posição ideológica. Seu argumento depende muito de deslocar a conversa para cenários de alta precisão operacional.
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Se eficiência operacional esgotasse conceito de utilidade, várias coisas seriam inúteis... Filosofia seria inútil, literatura seria inútil, experimentos pedagógicos seriam inúteis, etc.

Definir que o único uso plenamente legítimo do mapa é operacional não é um dado científico auto-evidente, mas posição ideológica sobre cartografia.
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Basicamente o que você está dizendo é que eficiência técnica não apaga a dimensão simbólica das convenções, e eu nunca discordei disso. O que eu disse é que uma convenção ter determinada origem histórica ou simbólica não invalida sua função teórica e técnica.
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Filosofia e literatura pertencem às ciências humanas e às artes (ainda que a filosofia sim tenha implicações práticas significativas). A cartografia moderna é uma ciência exata aplicada, ligada à engenharia, geodésia e navegação. Equiparar a função de um mapa ao papel da poesia é um erro básico de categoria.
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Ninguém está dizendo que invalida, e muito menos que devemos desconstruir padrões consolidados por pragmatismo. Mas mapa não é só para navegar, não...

Mapas foram frequentemente instrumentalizados por regimes coloniais e/ou totalitários para afirmar soberania, apagar populações, organizar exploração territorial, e etc. O nazismo usava mapas para reorganização técnica e sustentar o conceito de espaço vital, assim como a União Soviética manipulava mapas por razões estratégicas... A África vive sob guerras civis intermináveis porque o mapa do continente foi desenhado por europeus lá no século XIX e ignorou totalmente os povos nativos; sem falar de disputas territoriais contemporâneas como as que eu citei acima — se você coloca ou não Israel ou Kosovo no mapa; se você põe Taiwan como um país; se você põe Crimeia como parte da Rússia ou da Ucrânia são todas decisões ideológicas.

A educação deve limitar-se exclusivamente a ensinar padrões técnicos e descartar todo o resto (cartogramas, mapas teológicos, mapas históricos, mapas artísticos e etc)? Ou a educação deve, além de ensinar o técnico, ensinar também reflexão crítica sobre como esses padrões surgem e operam culturalmente? Doutrinação é ensinar que convenções existem, ou é ensinar que convenções específicas são naturais e/ou inevitáveis? Ensinar outro padrão necessariamente nos obriga a descartar o que é consolidado? Não sei qual é sua opinião sobre... Mas, seja ela qual for, é uma opinião ideológica também.
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Cartografia é ciência exata, mas não a torna isenta de interpretação social. Só pensar em arquitetura...

Isso não é confusão de categorias, é interdisciplinaridade.

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