Ninguém está dizendo que invalida, e muito menos que devemos desconstruir padrões consolidados por pragmatismo. Mas mapa não é só para navegar, não...
Mapas foram frequentemente instrumentalizados por regimes coloniais e/ou totalitários para afirmar soberania, apagar populações, organizar exploração territorial, e etc. O nazismo usava mapas para reorganização técnica e sustentar o conceito de espaço vital, assim como a União Soviética manipulava mapas por razões estratégicas... A África vive sob guerras civis intermináveis porque o mapa do continente foi desenhado por europeus lá no século XIX e ignorou totalmente os povos nativos; sem falar de disputas territoriais contemporâneas como as que eu citei acima — se você coloca ou não Israel ou Kosovo no mapa; se você põe Taiwan como um país; se você põe Crimeia como parte da Rússia ou da Ucrânia são todas decisões ideológicas.
A educação deve limitar-se exclusivamente a ensinar padrões técnicos e descartar todo o resto (cartogramas, mapas teológicos, mapas históricos, mapas artísticos e etc)? Ou a educação deve, além de ensinar o técnico, ensinar também reflexão crítica sobre como esses padrões surgem e operam culturalmente? Doutrinação é ensinar que convenções existem, ou é ensinar que convenções específicas são naturais e/ou inevitáveis? Ensinar outro padrão necessariamente nos obriga a descartar o que é consolidado? Não sei qual é sua opinião sobre... Mas, seja ela qual for, é uma opinião ideológica também.