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A percepção sobre imperialismo e as críticas a ele variam bastante devido a uma combinação de fatores históricos, temporais, acadêmicos e políticos. Embora as conquistas árabes tenham resultado na arabização e islamização de vastas áreas, a falta de "reclamações" comparáveis ao imperialismo ocidental moderno deve-se a vários motivos

O foco maior no imperialismo ocidental deve-se à sua proximidade temporal, à brutalidade sistêmica e racista e ao fato de que muitas das fronteiras e conflitos atuais são herança direta desse período. No entanto, as críticas ao impacto cultural das conquistas árabes existem e vêm crescendo, especialmente por parte de grupos que buscam resgatar suas identidades pré-árabes
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Em primeiro lugar, porque estudamos história a partir de uma perspectiva eurocêntrica. Desculpa, mas é a verdade... Nosso currículo não é neutro. Você poderia utilizar como argumento para justamente apontar que a tendência deveria ser o oposto... Em expor o imperialismo árabe/islâmico. Mas, como a maior parte da historiografia moderna provém da Europa e Américas, houve maior estudo crítico sobre o próprio passado europeu, principalmente após a descolonização a partir da metade do século XX — os maiores estudiosos do colonialismo como Aimé Césaire, Frantz Fanon e Albert Memmi são oriundos de colônias e/ou ex-colônias francesas nos continentes americano e/ou africano, e você percebe que eles focam bastante nesse contexto francófono. Há a contradição de que os autores decoloniais utilizam linguagem e conceitos provenientes do vocabulário intelectual europeu, passam pelo circuito acadêmico europeu, e dialogam com outros autores europeus como Karl Marx e Sigmund Freud... Não é por hipocrisia desses autores, mas porque até na produção de conhecimento a Europa é hegemônica.

E em segundo lugar, porque o imperialismo europeu é muito recente e influencia divisões geopolíticas, econômicas, sociais, e até mesmo raciais até hoje. Como eu disse anteriormente, a descolonização da África começou a partir da Segunda Guerra Mundial... Justamente porque o nazismo, o Holocausto, os julgamentos de Nuremberg e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, e a própria formação das Nações Unidas trouxeram uma série de discussões que questionavam a manutenção de colônias europeias. As fronteiras da África ainda são as mesmas do século XIX porque elas foram arbitrariamente desenhadas pelos europeus durante a Conferência de Berlim. Até hoje as ex-colônias francesas da África Ocidental, como Senegal, Burkina Faso, Mali, Níger, Chade, Gabão e República do Congo ainda utilizam o franco CFA como moeda oficial, que é a moeda da época da colônia... Ainda que a França utilize o euro como moeda oficial desde 1999, é o Tesouro Francês quem emite o franco CFA e retém 50% das reservas. Empresas europeias e norte-americanas detém monopólio de uma série de reservas naturais de países africanos até os dias de hoje, principalmente a França com o urânio que é sua principal matriz energética. O próprio imperialismo colaborou com a consolidação do capitalismo enquanto modelo de produção hegemônico.

Não que não exista uma disputa de narrativas que tente minimizar o Islã e superestimar o Ocidente nessa questão de imperialismo... Porém, perceba como os impactos do imperialismo islâmico, principalmente aqui na América Latina e Caribe, é muito indireto. Vários povos e civilizações praticaram formas diferentes de expansão imperial, desde as mais antigas como os egípcios, até os europeus, persas, mongóis, e etc. Mas o imperialismo ocidental é mais recente, mais documentado e mais diretamente ligado ao mundo atual.
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