De acordo com um sociólogo chamado Pierre Bourdieu, religiões competem por legitimidade, influência social e presença institucional.
Nos países da África Setentrional e Oriente Médio, quem ocupa esses três espaços simbólicos há séculos é indubitavelmente o Islã... Tanto faz parte da identidade religiosa daquela população quanto estrutura costumes, moral e vida pública, além de frequentemente integrarem a legislação. O mercado simbólico já está saturado por uma tradição dominante e o cristianismo entra como elemento externo, frequentemente associado ao colonialismo europeu/ocidental, mesmo existindo comunidades cristãs históricas, mas ainda sob status minoritário.
Em países seculares da Europa Ocidental, América Anglo-Saxônica e Ásia Oriental, esse espaço simbólico é mais aberto porque o Estado não favorece religião alguma... E a consequência é pluralismo religioso e/ou pessoas “sem religião” — que podem ser tanto ateus e agnósticos quanto pessoas que preservam crença sem vínculo com alguma instituição. A religião não vai competir apenas por espaço, mas também por autoridade simbólica. Outro sociólogo chamado Max Weber chama de “desencantamento do mundo”... À medida que explicações racionais avançam em sociedades seculares, e essa racionalidade passa a reduzir o “território explicativo” da religião, ela se deslocar para o campo do sentido, identidade e/ou moral particular. Há redistribuição do espaço simbólico onde a ciência ganha autoridade para explicar a realidade e a religião tem sua centralidade social limitada.
E aí você compara com América Latina e Caribe e África Subsaariana...
Em contextos instáveis e desiguais, o espaço simbólico tende a favorecer religiões que oferecem respostas imediatas — materiais e existenciais. A diferença é que, na América Latina, essa competição ocorre dentro de um campo já cristianizado, enquanto na África Subsaariana ela envolve múltiplos sistemas religiosos em disputa... Daí você vê crescimento exponencial de igrejas pentecostais e/ou neopentecostais.
Daí você tira suas conclusões...