Vamos aos fatos...
Atualmente, a Câmara dos Deputados possui uma dezena de comissões, entre permanentes e temporárias. A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher é uma das comissões permanentes.
Quem tem prioridade para escolher quais comissões que farão parte são os partidos que possuem maior quantidade de deputados em exercício...
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Hoje, o Partido Liberal (PL) é a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados com 96 deputados em exercício. Só estão atrás do União Progressistas, que é a coligação do União Brasil (UNIÃO) e Progressistas (PP)... Por uma diferença mínima, já que o União Progressistas possui 98 deputados em exercício. Esses números são após a janela partidária, mas mudou pouco. Ou seja... O PL é um dos primeiros partidos a escolher quais comissões irá ocupar.
Internamente, o PL decidiu controlar as comissões que, segundo eles, consideram mais estratégicas para suas pautas — então você tem Joaquim Passarinho (PL-PA) presidindo a Comissão de Minas e Energia; Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP) presidindo a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional; Coronel Meira (PL-PE) presidindo a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; Giovani Cherini (PL-RS) presidindo a Comissão de Saúde; e Daniela Reinehr (PL-SC) presidindo a Comissão de Turismo.
Já a coligação PSOL-REDE é uma das menores da Câmara dos Deputados... Eles só têm atualmente 16 deputados em exercício. Ou seja... Eles ficam com o que sobra do que os partidos maiores não quiseram pegar.
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher sobrou. O PSOL-REDE foi lá e abocanhou... Lançaram a chapa com Erika Hilton (PSOL-SP) para presidente e, com 12 votos a favor versus 10 votos em branco, porque não houve nenhuma chapa concorrente, ela se elegeu. Não houve nada irregular.
Apesar do PL ser um partido predominantemente masculino, eles têm alguns nomes femininos relevantes como Carol De Toni (PL-SC) que já foi Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e é pré-candidata ao Senado Federal; Bia Kicis (PL-DF) que também já foi Presidente da CCJC; Júlia Zanatta (PL-SC) que é a deputada da tiara de flores que teve o microfone desligado; Chris Tonietto (PL-RJ), e entre outras. Se elas quisessem, elas poderiam ter ocupado assentos na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e lançado chapas concorrentes para potencialmente evitar uma eleição de Erika Hilton... Mas não quiseram. Oportunidade tiveram. A omissão também cobra suas responsabilidades, e agora não adianta reclamar que “Erika Hilton não me representa” e etc. Se elas não quiseram, é porque para elas tanto faz.
Então, eu penso o seguinte...
Quem é eleitor do PSOL não se incomoda de ter uma trans e/ou travesti como Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Quem se incomoda é o eleitor do PL, do União Brasil, do Republicanos, e esses partidos maiores aí... Que são justamente os que tinham prioridade de decisão.
Se você considera a pauta da mulher tão relevante assim, eu sugiro entrar em contato com o(a) deputado(a) federal que você votou e perguntar diretamente porque é que o partido dele(a) não se comprometeu com a pauta da mulher. Porque, como eu disse antes, não houveram irregularidades na eleição de Erika Hilton... Ela pegou uma comissão que ninguém mais quis pegar. Acho mais efetivo do que ficar destilando transfobia.
Eu prefiro a Erika Hilton do que as crápulas do PL.