A única coisa que esses pontos mostram é que o mundo não é um paraíso perfeito ou isento de riscos. Pense em um carro: ele pode ter defeitos, sofrer desgaste, precisar de manutenção e até causar acidentes, mas ninguém diz por isso que ele não foi projetado por uma mente inteligente. Da mesma forma, o fato de a água do mar não ser potável ou de haver radiação ultravioleta não nega um possível design, mas apenas mostra que existem limites e condições no sistema. Um remédio pode ter efeitos colaterais e ainda assim ter sido cuidadosamente desenvolvido, uma casa pode sofrer com infiltrações ao longo do tempo e ainda assim ter sido construída por um engenheiro. Se um objeto tivesse que ser perfeito para ser fruto de uma inteligência, nada se encaixaria.
Quanto à ideia de que o design inteligente seria "pseudociência", como alegou o usuário acima, isso é uma simplificação grosseira, praticamente uma filosofia de boteco. Não existe um consenso entre os filósofos da ciência sobre um critério rígido que separe definitivamente ciência de não ciência. O chamado "problema da demarcação" nunca foi resolvido na filosofia da ciência (mais informações nos comentários). Além disso, a comparação com a terra plana não tem cabimento, porque nenhum trabalho terraplanista passa por revisão por pares ou sequer é considerado publicável em meios acadêmicos respeitados. Já o debate sobre design e propósito no universo aparece em discussões filosóficas e até em certos contextos científicos de forma mais sofisticada.