A existência de uma "milícia virtual", com domínio de perfis falsos em redes sociais e divulgação de fake news direcionadas a atacar adversários, foi inicialmente divulgada em meados de 2019 pela deputada Joice Hasselmann, antiga aliada de Jair Bolsonaro.[3] Segundo a deputada, o grupo foi responsável por difundir em massa notícias falsas relacionadas, dentre outros assuntos, ao suposto "kit gay" e à "mamadeira de piroca", vinculando-as ao candidato Fernando Haddad durante a eleição presidencial de 2018; o mesmo grupo teria sido responsável, meses antes, por divulgar informações falsas difamando a vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, alegando falsamente que a vereadora seria casada com um traficante e apoiadora da organização criminosa Comando Vermelho.[3]
A atuação do "gabinete do ódio", assim denominado, foi inicialmente reportada pelo jornal O Estado de S. Paulo em setembro de 2019,[4] e se notabilizou a partir da CPMI das Fake News. Deputados anteriormente aliados ao governo Bolsonaro, incluindo, além de Joice Hasselmann, Alexandre Frota e Heitor Freire, relataram a existência do grupo, que se autodenomina "Gabinete do Ódio",[5] descrevendo as frentes de atuação e os métodos utilizados.[6] As alegações principais são de que o grupo utiliza as redes sociais e ferramentas de disparos em massa, principalmente via WhatsApp, conforme relatório da Polícia Federal: "um grupo que produz conteúdos e/ou promove postagens em redes sociais atacando pessoas (alvos) – os ‘espantalhos’ escolhidos – previamente eleitas pelos integrantes da organização, difundindo-as por múltiplos canais de comunicação".[7] O inquérito 4.781 indica a existência do "gabinete do ódio"[8]
O conteúdo divulgado inclui a propagação de notícias falsas, o uso de robôs e de investimentos pesados em promoção do conteúdo gerado. Há suspeitas de que pelo menos parte do dinheiro usado na divulgação dessas notícias seja público.[9]
Além dos ex-aliados do governo, a existência do gabinete é apontada pela Polícia Federal e por ministros do Supremo Tribunal Federal[10], mas é negada pelo presidente.[4]
Em 11 de julho de 2024, a Polícia Federal, que deflagrou a Operação Última Milha, descobriu indícios apontando uma ligação entre dirigentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) com o gabinete do ódio, uma equipe digital que, segundo as investigações, operava dentro do Palácio do Planalto para difundir notícias falsas contra adversários do então presidente da República Jair Bolsonaro.[11]