Se sim, pode contar uma de que você gostava?
Eu li muitas quando era criança, principalmente as de Esopo. Uma das que eu mais gostava era essa:
A Raposa e o Bode
Uma raposa, andando pelo campo, acabou caindo em um poço profundo. Tentou de todas as maneiras sair dali, mas as paredes eram altas e escorregadias demais.
Pouco depois, um bode passou pelo lugar. Ao ver a raposa no fundo do poço, perguntou:
— O que você está fazendo aí? A água é boa?
A raposa, percebendo uma oportunidade de escapar, respondeu:
— É excelente! Nunca bebi água tão fresca e saborosa. Desça e experimente você também!
O bode, sem pensar muito, saltou para dentro do poço. Depois de beber a água, percebeu o problema:
— E agora? Como vamos sair daqui?
A raposa respondeu:
— Tenho um plano. Fique de pé e apoie as patas dianteiras contra a parede. Eu subirei pelas suas costas e, quando chegar lá em cima, ajudarei você a sair.
O bode concordou. A raposa subiu pelas costas e pelos chifres dele e conseguiu alcançar a borda do poço. Assim que ficou livre, começou a ir embora.
— Ei! — gritou o bode. — Você não vai me ajudar a sair?
A raposa olhou para trás e respondeu:
— Meu caro, se você tivesse tanto juízo quanto tem barba, teria pensado em como sair antes de pular no poço.
E foi embora, deixando o bode para trás.
Moral: Antes de tomar uma decisão, pense nas consequências e em como resolverá os problemas que ela poderá trazer.
Também gostava desta:
O Leão e o Rato Reconhecido
Certo dia, um leão dormia tranquilamente quando um pequeno rato, correndo pelo campo, passou por cima dele e o acordou.
Irritado, o leão prendeu o rato debaixo de sua enorme pata e estava prestes a devorá-lo.
— Por favor, poupe minha vida! — suplicou o rato. — Se me deixar ir, talvez um dia eu possa retribuir sua bondade.
O leão achou graça. Como poderia uma criatura tão pequena ser útil ao rei dos animais? Mesmo assim, resolveu ter misericórdia e deixou o rato partir.
Algum tempo depois, o leão caiu em uma armadilha preparada por caçadores. Preso em uma forte rede, lutou para escapar, mas quanto mais se debatia, mais apertadas ficavam as cordas.
Seus rugidos ecoaram pela floresta e chegaram aos ouvidos do rato, que reconheceu a voz daquele que havia poupado sua vida.
O pequeno animal correu até o local e encontrou o leão preso. Sem perder tempo, começou a roer as cordas da rede com seus dentes afiados. Pouco a pouco, abriu uma passagem grande o bastante para que o leão escapasse.
— Você riu quando eu disse que poderia ajudá-lo algum dia — disse o rato. — Agora sabe que até mesmo um pequeno rato pode ajudar um grande leão.
O leão reconheceu que havia subestimado seu pequeno amigo e agradeceu por ter sua vida salva.
Moral: Ninguém é tão grande que nunca precise da ajuda de alguém menor; uma bondade praticada pode um dia ser recompensada.