Em paralelo às eleições presidenciais daqui do Brasil, lá nos EUA haverão as eleições de meio de mandato. Essas eleições são o terror de qualquer presidente americano porque historicamente são marcadas pela vitória da oposição e dificultam a segunda metade do governo... Houveram poucas exceções, uma delas foi Bush.
A última pesquisa que saiu a respeito da aprovação de Donald Trump foi a da Reuters/Ipsos, que declarou que a aprovação dele é de apenas 35%, à medida que a reprovação alcança 63%... Com margem de erro de dois pontos percentuais, então a desaprovação pode chegar a até 65%. Pela primeira vez os democratas posicionaram-se melhor na pesquisa da Reuters no assunto de economia do que os republicanos. Nas projeções para as eleições parlamentares em novembro, possa ser que os republicanos percam o controle da Câmara dos Representantes e talvez até o Senado.
E aí começa a campanha...
Anthony Fauci, que já era adversário político de Trump desde o primeiro mandato lá na pandemia, foi sabatinado pela ala republicana (e antivax) do Senado americano. Quem está liderando é o senador republicano do Kentucky, Rand Paul. Daí, para sustentar a comissão, confiscou-se o diário pessoal de Fauci — aquele que as pessoas escrevem “Meu querido diário...” — e defende-se que, o que Fauci desabafava no diário, não era coerente com a persona pública dele. Não é evidência científica nova, não é estudo farmacêutico, não são testemunhas... É um diário pessoal de um médico anotando suas dúvidas e considerações na época da pandemia.
Virou estratégia política para desgastar o adversário... Quem assistir a comissão, percebe que está cheia de insultos, perguntas irrelevantes, e acusações formuladas como se fossem fatos comprovados, além de teorias da conspiração requentadas e teses científicas desmistificadas como a eficácia da cloroquina. E o próprio Rand Paul deixou explícito várias vezes que ele queria ver Fauci preso.
A comissão em si não dá autoridade para indiciar ninguém, a não ser que a pessoa não compareça. Mas Fauci compareceu antecipando-se de que era apenas uma manobra política de Trump e seus apoiadores para derrubar adversários e constrangê-lo pessoalmente e politicamente... Daí, seus advogados recomendaram que ele evocasse o direito da quinta emenda constitucional para permanecer calado e isentar-se da obrigação de responder às perguntas, já que evocar esse direito teria consequências jurídicas menos piores do que se Fauci desafiasse e/ou confrontasse os parlamentares diretamente. Mas, como eu disse antes, é circo... Qualquer resposta seria confrontada com milhares de e-mails, depoimentos e documentos para tentar construir novas contestações ou acusações de falso testemunho. Daí Paul usou o silêncio para Fauci para acusá-lo de desacato.
O Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais votou por linhas partidárias, 8 contra 7, que Fauci agiu em desacato. Deveria ter sido votado em plenário no Senado, mas não foi o que aconteceu. Daí agora vai para o Departamento de Justiça, se eles vão realmente abrir o inquérito e investigar por desacato... Eles não necessariamente têm obrigação de acatar a denúncia. O Departamento de Justiça pode simplesmente arquivar a referência e não denunciar, e igualmente um juiz federal pode não levar o caso a um júri por vícios processuais ou porque considera o apelo à quinta emenda legítima. Possa ser que tenha literalmente consequência jurídica nenhuma para Fauci... Seria só a pressão política mesmo.
Fez certo em não ceder à pressão.