
O sol já tinha ido embora, mas a pista ainda guardava o calor do concreto. As luzes amarelas dos postes criavam sombras longas nas rampas, e o som seco das rodas no chão ecoava vazio naquela noite de sexta-feira.
Clara deslizou por um obstáculo da pista com facilidade, o moletom largo balançando enquanto ela encaixava uma manobra perfeita. Quando parou perto da mureta, tirou o skate do chão com a ponta do tênis e sorriu para Leo.
— Tá me encarando faz tempo — ela provocou.
Leo apoiou o shape na parede e aproximou-se devagar.
— Difícil não olhar.
Ela ergueu uma sobrancelha, divertida. O suor colava alguns fios de cabelo no pescoço dela, e o cheiro misturado de concreto, vento noturno e perfume doce deixava tudo mais intenso.
— Então vem andar comigo — disse Clara.
Eles desceram juntos pela pista. Primeiro lado a lado. Depois cada vez mais perto. Em uma curva mais fechada, Leo segurou a mão dela por impulso, e Clara riu, quase perdendo o equilíbrio.
Pararam atrás de um obstáculo maior, escondidos da rua. O silêncio ali parecia outro mundo.
Clara sentou na borda de concreto e puxou Leo pela camiseta.
O beijo veio rápido, quente, cheio daquela tensão acumulada entre uma manobra e outra. As mãos dele deslizaram pela cintura dela enquanto Clara mordia de leve o lábio inferior dele, provocando.
O skate caiu de lado fazendo barulho no concreto, esquecido.
Ela encostou a testa na dele.
— Acho que você tá mais distraído do que eu hoje.
Leo sorriu sem negar. Os dedos dele passearam pelas pernas dela, devagar, sentindo a pele arrepiar sob o toque. Clara fechou os olhos por um instante, aproveitando o frio da noite contrastando com o calor entre os dois.
Lá em cima, o vento atravessava a pista vazia. Embaixo, escondidos entre sombras e concreto, eles continuaram se beijando como se o resto da cidade tivesse desaparecido.
E naquela madrugada, a única coisa deslizando mais rápido que os skates era a tensão entre os dois.