Na vida real, não existem bonzinhos e malvados...
O termo “xiita” é polissêmico. No sentido estrito, é religioso... Após a morte do profeta Maomé, os muçulmanos sunitas queriam eleger um califa para sucedê-lo com base na capacidade e confiança dos fiéis; à medida que os muçulmanos xiitas acreditavam que alguém da linhagem sanguínea de Maomé deveria assumir o posto. E aí existem algumas poucas diferenças.
A maioria dos muçulmanos é sunita... Cerca de 90% aproximadamente, à medida que poucos países têm população predominantemente xiita, e um desses poucos é o Irã.

Durante a Revolução Iraniana (1979), de fato a imprensa ocidental ressignificou o termo “xiita” como sinônimo de extremista, fundamentalista, intransigente e/ou radical. Hoje em dia, na linguagem pejorativa, qualquer um pode ser xiita a respeito de qualquer coisa... Você pode ser xiita até com futebol, por exemplo.
A contradição está no fato de que a maioria das organizações terroristas de caráter fundamentalista islâmico como o ISIS, Al-Qaeda, Talibã, Boko Haram, e Hamas são sunitas, não são xiitas.
Conclusão... Não é necessário intenção preconceituosa para reproduzir discurso preconceituoso, e o uso pejorativo do termo “xiita” não descreve a realidade; mas distorce ao transformar uma identidade religiosa concreta num estereótipo de extremista, produzindo estigmatização mesmo sem intenção.
Rotular uns como bons e maus é simplificar a realidade.