Quando duas pessoas do mesmo sexo reivindicam o direito de se casar, a intenção não é ressignificar e/ou subverter o casamento enquanto instituição simbólica.
Para o Estado, casamento é um contrato com propósitos pragmáticos... Duas pessoas que querem constituir unidade familiar firmam contrato com regras e regime de bens, diferenciando-se de contratos comuns devido a carga afetiva, comunhão de vida e princípios próprios como monogamia. É esse contrato que garante segurança jurídica e os protege institucionalmente. Cônjuges têm direito, por exemplo, de visitar no hospital. Ou de receber pensão e/ou herança na morte ou separação. Ou de tomar decisões médicas relevantes diante da incapacidade de algum dos cônjuges... Ou de dividir plano de saúde. Além de direitos que envolvem adoção... Em países como Itália é comum que casais homoafetivos criem crianças mas, como o país não reconhece tais uniões na legislação, se o pai e/ou mãe que tiver sido registrado no documento de adoção morrer, a criança vai parar num abrigo porque o outro cônjuge não tem direito de reivindicar a guarda.
Quando falamos de LGBTs, é ainda mais delicado porque infelizmente situações de abandono, negligência ou rejeição familiar são comuns. Não é justo, por exemplo, que um casal homoafetivo construam bens juntos e, quando um morre, esses bens vão para a família biológica e o cônjuge fique desamparado porque aquela união não é reconhecida... É cruel.
Há conservadores que querem proteger o casamento enquanto instituição simbólica, e existem países livres e democráticos que fornecem esse mesmo contrato que garantem os mesmos direitos de um casamento, mas não chamam de “casamento”. O que não dá é negar o direito de pessoas LGBTs, que pagam impostos como qualquer um, de exercerem sua liberdade individual e constituir família... Deixando-as juridicamente desamparadas. Proteção não é apenas o direito de não apanhar na rua, é também respeito pelo vínculo que se forma o reconhecimento civil pleno de seus direitos e deveres. Para isso, sinto muito, não existe motivo para ser contra sem ser homofóbico.