Quatro perguntas sobre o assunto só hoje? Vou considerar que a conversa te impactou...
De fato, filósofos como Karl Popper, Thomas Kuhn e Imre Lakatos demonstram que estabelecer um critério de demarcação do que é ciência e do que é “não-ciência” não é simples. Só que isso daí também não é um atestado de que vale qualquer coisa, não... Ou então absurdos como constelação familiar, darwinismo social, dieta da selva, e Terra plana seriam validadas como ciência quando claramente não são.
Na vida real, cientistas, instituições, revistas e a sociedade distinguem ciência de pseudociência de forma pragmática, sem precisar de um critério filosófico perfeito. Confiabilidade e método tornam áreas mais seguras do que outras... Testes controlados, dados públicos, previsões, escrutínio, transparência, e etc. E igualmente pseudociências têm modus operandi bastante específicos... Evidências anedóticas (“funcionou comigo”), explicações vagas, think tanks próprios que as isolam da revisão por pares, e frequentemente são acompanhadas por conspirações (“a indústria farmacêutica não quer que você saiba disso”, “arroz e feijão são ração do governo”, “estão nos boicotando” e etc).
Não é infalível, claro... Já houveram fraudes e “ciência ruim”. Mas, mesmo com todas as limitações, é melhor do que ter que lidar com relativismo total.