Sim, é verdade.
Na época da monarquia, o Brasil queria se aproximar de um modelo semelhante às instituições europeias — tanto politicamente quanto culturalmente. Literatura, moda, arquitetura, educação, ciências e costumes da elite brasileira eram fortemente orientadas pela tradição europeia... Principalmente pela França e Portugal, devido ao cosmopolitismo francês e a herança colonial portuguesa. Também era uma forma do Brasil pontuar que era diferente dos vizinhos hispânicos, que eram, até então, do ponto de vista brasileiro, repúblicas instáveis.
Daí, a partir da Proclamação da República, o Brasil passou a se orientar às instituições americanas... Queríamos deixar de ser a exceção monárquica das Américas e se aproximar dos EUA que era a Grande República do Novo Mundo. Por isso até que a Primeira República chama-se Estados Unidos do Brasil e a bandeira dos primeiros quatro dias do regime republicano foi essa daí. Por isso que adotamos o modelo de presidencialismo, e até mesmo o fato de substituirmos as ferrovias por rodovias deve-se em partes ao fato de que a industrialização americana era simbolizada por automóveis, caminhões, combustíveis e estradas. Mas a americanização cultural veio mesmo a partir do século XX.