Existir, existe.
Todavia, um parlamentar belga disse que o país foi fundado para que o Reino Unido exercesse influência política na Europa continental. Existem três comunidades linguísticas na Bélgica... A francesa de Valônia e Bruxelas; e holandesa de Flandres; e uma pequena comunidade alemã. E a Bélgica fazia parte dos Países Baixos antes da Revolução Belga (1830) que emancipou o país, justamente dentro de um contexto de ascensão de movimentos nacionalistas no continente europeu — e que, além da própria Bélgica, culminou na formação, unificação e/ou independência de outros países como Itália (1861), Alemanha (1871) e Grécia (1829). É que diferentemente dos holandeses, que são predominantemente protestantes, os belgas são predominantemente católicos, a elite falava francês e, até então, eram sub-representados no parlamento.

O Reino Unido apoiou a independência da Bélgica porque não queria que o país se tornasse parte da esfera de influência francesa, ou mesmo fosse anexada à França... Então, por meio do Tratado de Londres (1830), os britânicos reconheceram a independência da Bélgica e formalizaram o novo país com a própria identidade, instituições e família real. E a condição é que a Bélgica fosse uma nação neutra. Por isso que, por exemplo, a sede da União Europeia e da OTAN está em Bruxelas... E durante a ocupação do continente africano, os belgas ficaram com o Congo porque o Rio Congo era o principal canal de acesso para adentrar na África.

Outro país que é meio que “inventado” também é o Uruguai, e o Reino Unido também apoiou a independência do Uruguai para encerrar o conflito entre o Império do Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina) e, claro, ter acesso ao canal também.
