Em um país chamado Brasil, um grupo de pessoas se reuniu nas praças e redes sociais, batendo palmas e gritando em coro: “Abaixo imposto! Abaixo imposto!”
As ruas se encheram de festas, bandeiras e fogos. O povo acreditava ter conquistado a liberdade: o salário dobrado, livre de tributos. Mas a alegria era apenas o início de um pesadelo.
Naquela mesma noite, uma sombra começou a se espalhar. O primeiro trabalhador que adoeceu descobriu que não havia mais SUS, nem afastamento, nem salário garantido. As clínicas privadas, como monstros famintos, devoravam suas economias: R$500 por consulta, R$1.000 por internação. E quanto mais pessoas adoeciam, mais os preços subiam, como dentes afiados rasgando o bolso.
Logo, os supermercados se tornaram corredores assombrados. O pão que custava R$5 agora custava R$10. O arroz parecia se multiplicar em fantasmas: menos quantidade, mais preço. A reduflação era o espectro invisível que corroía cada pacote, cada prateleira.
Os patrões, sorrindo nas sombras, trocavam trabalhadores doentes por novos, descartando vidas como velas apagadas. O salário dobrado já não comprava nada. A moeda, corroída pela inflação, se tornava pó nas mãos.
E então veio o verdadeiro horror: sem previdência, sem aposentadoria, sem rede de segurança, cada trabalhador estava sozinho diante da escuridão. O que antes era direito virou luxo inalcançável. O que antes era proteção virou ausência.
No silêncio da madrugada, ecoava apenas um sussurro arrepiante: “HI HI, LEVEI VANTÁGI…”
Mas agora, o riso se transformava em grito. O povo descobria que o monstro não era o imposto, mas a ausência dele. E o Brasil, antes em festa, tornava-se um cemitério de direitos, onde cada trabalhador pagava para trabalhar… e trabalhava para sobreviver.