O belo e o olhar
Não procure a beleza na perfeição das formas ou na harmonia dos traços. Desconfie daquela que precisa ser anunciada para ser reconhecida.
O belo não tem preocupação com a aparência e nem tem o desejo de agradar. Há nele algo que transcende os sentidos e convida à contemplação. Já o reconheci numa árvore envelhecida, num rosto marcado pelo tempo, no olhar sem esperanças de uma criança e num gesto silencioso de delicadeza.
Não sei se a beleza independe do olhar, mas acredito que é preciso sensibilidade para percebê-la, e, não há pobreza maior que a incapacidade de contemplá-la.
Por nem sempre estar nas coisas, a beleza manifesta no encontro entre uma realidade capaz de nos afetar e um olhar disposto a percebê-la, atribuir-lhe sentido e acolher o que poderia passar despercebido. Parece nascer da relação entre o mundo e a sensibilidade de quem a contempla. Não é uma propriedade das coisas nem uma projeção subjetiva; é uma experiência que se realiza quando algo existente encontra um olhar atento.