Na realidade, acho que Flávio se saiu bem na campanha. No início, ele parecia o “filho fraco” do Bolsonaro... Mas a construção de imagem de “Bolsonaro moderado” — não que ele seja necessariamente moderado — fez com que ele alcançasse um público que Jair não conseguia.
Resta saber como é que isso vai se transferir para a gestão...
O bolsonarismo é internamente descoeso... Algumas personalidades ali dentro declaradamente não gostam umas das outras, outras têm projeto próprio de poder, e existem os que são meramente oportunistas. Enquanto eles são oposição, existe coesão. Mas quando estão no poder... Começam a surgir traidores e dissidentes. No mandato do Jair houveram algumas como Joice Hasselmann, Alexandre Frota, Otoni de Paula, Soraya Thronicke e João Doria, e os bolsonaristas destruíram as carreiras políticas deles. É perceptível que Michelle tem a ala dela que inclui Carol De Toni, Bia Kicis e Damares que não gostam de Flávio, Eduardo e Carlos; existe Nikolas Ferreira que está ensaiando uma ruptura para se projetar individualmente, e leva Pavanato (esse era anti-Bolsonaro até dia desses) e Eduarda Campopiano; os bolsonaristas que estão em outros partidos como Tarcísio, Derrite, Damares e Cleitinho — esse último já sinalizando uma potencial mudança de lado — e a ala do Valdemar Costa Neto que é um cacique partidário do Centrão e que emprestou o partido dele para os bolsonaristas. As pessoas esquecem que os bolsonaristas estão no partido do Valdemar de favor.
Resta saber como é que Flávio conseguirá manter o movimento coeso. Um defeito que ele tem é ser contraditório. Diz que não conhecia Vorcaro, depois foi recuando à medida que surgiam novas evidências... Falou em reformas nível Milei, depois disse que não cortaria programas sociais. Disse que queria aprovar a escala 7x0, mas vai votar no fim da escala 6x1 no Senado. E por aí vai. Para o governo, isso é ruim. Se Flávio realmente assumir o Planalto, ele pode se preparar para a base dele começar a se degladiar por dentro.