Golpes podem acontecer por vias institucionais.
Nayib Bukele que vocês gostam, em El Salvador, praticamente promulgou um golpe institucional. Ele declarou estado de emergência no país e suspendeu os direitos civis da população comum... E, com a maioria no parlamento, conseguiu promulgar uma série de reformas institucionais que ampliaram seus poderes, incluindo reformas no sistema judiciário. De acordo com a Constituição de El Salvador, um estado de emergência deveria durar apenas 30 dias... E o governo estende por mais de 30 dias há literalmente 4 anos. Bukele se reelegeu, coisa que a Constituição de El Salvador também não permitia. Você pode defender, dizer que deu certo, que a população apoia em maioria, e etc. De fato, os resultados são inquestionáveis. Mas dizer que El Salvador ainda é uma democracia é falso.
Jair não tinha o apoio do Congresso que Flávio terá se eleito. Se houver iniciativa do Presidente da República e o Congresso Nacional aprovar, sim, pode haver uma nova Assembleia Nacional Constituinte. E aí o resultado disso é imprevisível. Não estou dizendo que ele vai convocar... Flávio Bolsonaro não deixou claro o que ele quis dizer com modificar Constituição — se é por meio de PEC ou se é por meio de nova Constituinte. Mas se ele quiser, ele pode. Ele terá apoio.
Lembrando que meus direitos enquanto gay nem existem em lei... São produto de entendimentos do STF. Meu direito de registrar união civil em cartório para proteger minha relação juridicamente, ou de adotar uma criança em conjunto não estão em lei. O próximo presidente eleito indicará pelo menos quatro novos ministros no STF, ou mais se impeachment for aprovado. Precisa nem de golpe... Basta que o novo Supremo revogue o que concedeu. E interesse em revogar alguns desses direitos o PL já demonstrou que tem.