Não abraço a ideia de que quem sofre bullying é fraco. Isso é senso comum travestido de explicação.
Bullying não é seleção natural que identifica os “vulneráveis”. Sobre poder, alguém escolhe uma característica real ou inventada do outro: aparência, comportamento, timidez, origem, inteligência, deficiência, qualquer diferença e a transforma em pretexto para humilhar, excluir ou agredir repetidamente. E o grupo, muitas vezes, reforça isso.
A vítima pode estar vulnerável no momento da situação, mas vulnerabilidade circunstancial não vira fraqueza pessoal. Até uma pessoa segura, inteligente e emocionalmente forte pode sofrer bullying se estiver isolada diante de um grupo que legitima a agressão.
Sempre achei curioso esse raciocínio: várias pessoas se unem para perseguir uma só e concluem que fraca é justamente aquela que está sozinha. Isso diz muito mais sobre o grupo que precisa de uma vítima do que sobre a pessoa escolhida para ser uma.
Sabe por que estou lhe dizendo tudo isso, Katriel? Porque eu também sofri bullyng na infância e o que doeu mais foi saber que foi dentro da própria família.