Tenho opinião parecida com a J. K. Rowling, autora da série de livros da saga Harry Potter...
A condição de disforia de gênero é catalogada pelo CID e OMS, e requer diagnóstico por uma equipe multidisciplinar. E, sim... Em muitos casos, a alternativa recomendada é a redesignação sexual. Nesses casos, o Estado e os cidadãos devem reconhecer a identidade de gênero dos cidadãos e assegurar os seus direitos, e a sociedade civil deve debater medidas para que essas pessoas tenham a sua dignidade respeitada sem sobrepor os direitos de outras esferas da sociedade, incluindo de mulheres cis/biológicas. Eu não concordo de forma alguma com a opinião de cristãos conservadores, incluindo vários aqui no site, que defendem que o Estado deva invisibilizar, perseguir e desumanizar essas pessoas para que elas não tenham oportunidade de exercerem sua cidadania.
Com relação às “crianças trans”, existe exagero retórico das duas partes. Disforia de gênero é relativamente comum em crianças... Principalmente as que possuem tendência à homossexualidade, em meninas apavoradas em passar pela puberdade, e também as que foram expostas a situação de abuso sexual. Porém, na esmagadora maioria dos casos, essa disforia tende a resolver-se sozinha ou com psicoterapia. No Brasil, nenhuma criança muda de sexo, e existem uma série de resoluções do CFM que impedem que crianças tenham acesso a hormonioterapia e operação cirúrgica sem a idade mínima de consentimento e/ou sem autorização dos pais. Da mesma maneira, considero antiético que ativistas trans e do movimento LGBTQIAPN+ defendam que crianças tenham acesso a bloqueadores hormonais com o intuito de retardar a puberdade e garantir que uma futura redesignação sexual seja mais “bem sucedida”... Porque esses tratamentos ainda são experimentais e não está plenamente esclarecido ainda quais são os efeitos à longo prazo, e nem se são reversíveis. Nem concordo com a ideia de que, se essas pessoas não tiverem acesso ao tratamento desde a infância irão automaticamente cometer suicídio, e propagar essa ideia também é irresponsável porque organizações de combate ao suicídio já alertaram sobre o risco de contágio suicida.
Também acho que as pessoas, independentemente de orientação sexual, devam ter o direito de não aceitarem sexo com pessoas que não se sentem atraídas sem serem constrangidas acusadas de preconceito... Infelizmente, a única coisa que ativistas trans e cristãos conservadores concordam é que gays e lésbicas são um problema a serem “corrigido”. É homofóbico atacar homossexuais por se sentirem atraídas pelo mesmo sexo.
Também não acredito que alguém literalmente “nasceu no corpo errado” porque essa é uma crença infalsificável, praticamente religiosa. Uma pessoa pode se sentir como se tivesse nascido no corpo errado, mas seres humanos não podem literalmente voltar ou “corrigir” o sexo biológico. Mas não é salvo conduto para ocupar espaços de sexo único que mulheres historicamente lutaram tanto.