Não. Como professora, aprendi que a criança não é um espelho daquilo que vê dentro de casa. É claro que o ambiente familiar tem um peso enorme em sua formação, porque é ali que acontecem as primeiras experiências de afeto, limites, linguagem e convivência.
O desenvolvimento infantil é bem mais complexo.
Vygotsky, por exemplo, mostrou a importância das relações sociais e culturais na construção da criança.
Já Albert Bandura demonstrou que muito do comportamento pode ser aprendido pela observação e pela imitação de outras pessoas.
A criança não convive apenas com os pais. Ela convive com professores, colegas, parentes e outras crianças e, hoje, também recebe forte influência da internet e de outros ambientes sociais.
Por isso, pedagogicamente, eu teria bastante cuidado com a frase “a criança faz o que vê em casa”. Às vezes, sim, mas nem sempre. A família influencia, mas não determina sozinha tudo aquilo que uma criança é ou faz.
Eu, por exemplo, convivo com uma criança na escola que tem uma estrutura familiar sólida, recebe todo o apoio necessário para seu desenvolvimento, tanto material quanto afetivo, além de uma formação baseada em valores. No entanto, em toda a minha experiência profissional, nunca vi um menino mais cruel. Sua perversidade é tamanha que a equipe escolar teme pela segurança dos demais.