Sim, um dos artigos compilados pela matéria é o de Lisa Diamond que descreve o fenômeno de fluidez sexual. Mas a questão aqui é outra...
Os estudos realmente demonstram que mulheres apresentam mais mudanças na atração sexual do que homens?
Lembrando novamente que esses estudos não são longitudinais... Eles não comparam a mesma amostra ao longo dos anos. Citando um exemplo bem grotesco, para você entender a diferença... O percentual de pessoas pretas no ensino superior era 2,1% em 2000, e, em 2022, esse número cresceu para 11,7%. Não quer dizer que as pessoas da primeira amostra tornaram-se pretas, não é? Sim, eu sei que a comparação soa ridícula a primeira vista, e eu sei que cor de pele não é mutável... Mas você percebeu o problema de inferência, não é? A matéria da BBC compara amostras diferentes para dizer que a proporção de mulheres que se identificam com outras orientações sexuais que não seja hétero aumentou de 2011 para 2019.
Então eu gostaria de ver os dados longitudinais: acompanhar as mesmas pessoas e verificar quantas mulheres passam, por exemplo, de atração exclusivamente pelo sexo oposto para alguma atração pelo mesmo sexo, quantas fazem o caminho inverso, em que idades isso acontece e como essas taxas se comparam às dos homens. E de novo... Se parte do aumento observado decorre de uma redução da heterossexualidade compulsória e de maior liberdade para reconhecer atrações que antes não eram admitidas, isso também precisa ser discriminado de uma mudança propriamente dita na atração sexual.