Eu devo engolir meu orgulho quando perceber que ele já não está protegendo minha dignidade, apenas alimentando uma distância que dói.
Devo engoli-lo quando um pedido de desculpas valer mais do que ter razão; quando alguém que amo estiver do outro lado de um silêncio que eu mesma poderia quebrar; quando reconhecer que errei, porque admitir um erro não me diminui, apenas me torna mais humana.
Mas não confundo orgulho com amor-próprio. Há coisas que eu não engulo: humilhação, desrespeito, desprezo e a necessidade de me diminuir para caber na vida de alguém.
E como engulo meu orgulho? Sem espetáculo. Às vezes, dizendo: “Eu poderia ter agido diferente.” Outras vezes, procurando primeiro, estendendo a mão ou desistindo de ter a última palavra.
Porque engolir meu orgulho não é me ajoelhar diante de ninguém. É apenas saber mandar o ego se sentar quando meu coração já entendeu que é hora de conversar.