Em primeiro lugar, existe uma tendência de pessoas do Sul Global migrarem para o Norte Global... Lembrando que não estou falando dos hemisférios geográficos, estou utilizando da regionalização socioeconômica — porque tem usuários “intelijentes” que vêm citar a Austrália e Nova Zelândia como Sul Global achando que estão abalando. Brasil é um país da América Latina e Caribe, Sul Global, periférico; e Portugal está integrado à União Europeia, Norte Global, e é desenvolvido.
Em segundo lugar, proximidade linguística. Ambos os países têm língua portuguesa como oficial e fazem parte da CPLP... Se porventura você solicitar cidadania portuguesa por naturalização, não é necessário realizar um exame de proficiência em português. Lembrando que outros países do continente europeu como França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido exigem, entre outras coisas, que você seja proficiente na língua oficial para ter direito à cidadania por naturalização. Tem muito brasileiro que adquire cidadania portuguesa e utiliza-se do privilégio do Espaço Schegen e da livre circulação de pessoas para residir em qualquer país da União Europeia sem precisar de visto.
E por último, mas não menos importante, ancestralidade. Quem é descendente de imigrantes portugueses tinha privilégio na hora de adquirir cidadania. O parlamento modificou recentemente essa lei... Está mais difícil conseguir cidadania portuguesa mesmo sendo luso-descendente. Porém, até ano passado, se você comprovasse ancestralidade, tinha direito a cidadania automática. Tanto é que, depois de Portugal, um dos países da Europa com maior número de residentes brasileiros é a Itália porque vários brasileiros têm cidadania italiana... Apesar do parlamento italiano estar dificultando também por causa da política anti-imigração.