Estudiosos e cientistas políticos afirmam que vivemos no período da pós-verdade. Quer dizer que a verdade propriamente dita molda menos a opinião das pessoas do que emoções, opiniões, identidades, crenças e/ou narrativas... As pessoas tendem a validar o que é conveniente, e não mais o que é verdadeiro.
E aí entra o Olavo de Carvalho...
Sim, Olavo de Carvalho tratava a Terra plana como uma discussão legítima no século XXI... Uma parte importante da retórica de Olavo de Carvalho era construída com base na desconfiança das instituições acadêmicas e/ou intelectuais — como, por exemplo, a ciência institucional, as universidades, os professores, os institutos de pesquisa, e etc. Olavo de Carvalho e várias outras personalidades da extrema-direita tratam o ato de questionar, que é legítimo, como regra geral de validação. Quem afirma o consenso passa a ter que reprovar tudo de novo, e quem duvida só precisa levantar suspeitas... O resultado é uma falsa equivalência entre evidência acumulada por séculos e opinião sem lastro.
Questionar é legítimo, o problema é que se aproveitaram disso para formar ruído... E pessoas como Olavo de Carvalho lucravam com a dúvida.