Concordo.
O mensageiro da fofoca nem sempre é uma figura neutra. Ao escolher repetir aquilo que ouviu, ele dá à fala uma segunda vida, e, muitas vezes, amplia um dano que poderia ter morrido onde nasceu.
Tem também um mecanismo bem humano: usar a boca alheia como escudo. “Não fui eu quem disse, só estou contando” pode servir para expressar uma opinião, uma hostilidade ou um julgamento que a própria pessoa não teria coragem de assumir. Ela terceiriza a autoria, mas participa da intenção e das consequências.
Pensando com o uso da filosofia: Responsabilidade não pertence apenas a quem inicia um ato, mas também a quem conscientemente contribui para sua continuidade. Uma fofoca precisa de circulação para adquirir poder. Sem plateia e sem mensageiros, muitas maledicências simplesmente padecem de IBOPE.
Então, a atitude mais ética não é descobrir quem falou primeiro, mas decidir: “isso termina em mim”.
Porque nem toda verdade precisa ser espalhada e nem da toda maldade precisa ser destilada.
Hipóthese agora pensando nos famosos Filtros de Sócrates, rsrs