Meu caro, para compreender a inexistência da citta (mente/cidade) no espectro budista, você precisa transcender a visão materialista ingênua.
Primeiro, sob a ótica de Nagarjuna e a filosofia Madhyamaka, vigora a doutrina da Vacuidade (Sunyata). Isso significa que nenhum fenômeno possui Svabhava (existência inerente ou essência própria).
A 'cidade' não existe por si mesma; ela é apenas um composto de agregados interdependentes (Skandhas) de cimento, conceitos jurídicos, fluxos cármicos e projeções mentais.Segundo, se aplicarmos o princípio do Pratītyasamutpāda (Origem Dependente), percebemos que a cidade só 'existe' em relação nominalista. Se você desmontar tijolo por tijolo, onde textualmente está a 'cidade'?
Ela desaparece. Logo, ela é uma mera convenção linguística (Prajñapti).Portanto, afirmar a existência ontológica de uma cidade budista é cair no extremo do Eternalismo, enquanto dizer que ela sumiu do nada é cair no Niilismo. A verdade é o Caminho do Meio: a cidade é uma ilusão fenomenológica, um eco no vazio da sua própria mente (Citta-matra). Como você pode procurar um local geográfico para aquilo que é, fundamentalmente, Vazio?