Na verdade isso divide opiniões a nível popular, por influência da militância, mas não a nível acadêmico especializado. Você visitar uma fonte popular e pouco confiável como a Wikipédia, por exemplo, provavelmente você vai encontrar afirmações de que já se nasce gay, mas em um artigo de um periódico acadêmico como a Science você vai ver os autores mencionando, além dos fatores biológicos, fatores ambientais posteriores ao nascimento relacionados à socialização.
Por exemplo, com base no maior estudo já realizado sobre o tema, publicado na revista Science, não há um "gene gay" que determine a sexualidade. O estudo analisou quase 500 mil pessoas e concluiu que, embora a genética tenha alguma influência (até 25% do comportamento sexual pode ser explicado por fatores genéticos), a maior parte é moldada por fatores ambientais e culturais.
O que isso significa é que a orientação sexual não é simplesmente inata ou totalmente determinada ao nascer, mas resulta de uma interação complexa entre genética e ambiente (intrauterino e social/cultural). Isso vai na contramão da ideia de que alguém nasce necessariamente gay, pois há múltiplos fatores em jogo.
O próprio The New York Times, que dificilmente poderia ser acusado de "homofobia", noticiou abertamente isso:

O estudo diz:
"No total, todas as variantes genéticas testadas corresponderam a 8 a 25% da variação no comportamento sexual entre homens e mulheres do mesmo sexo"
Mas os autores também vão além e afirmam abertamente:
"…vários de nossos resultados também apontam para a importância do contexto sociocultural. Observamos mudanças na prevalência de comportamentos sexuais entre pessoas do mesmo sexo relatados ao longo do tempo…" (o grifo é meu)
E também:
"…isso pode refletir diferenças sexuais nas influências hormonais no comportamento sexual (…) mas também pode estar relacionado a diferentes contextos socioculturais de comportamentos entre mulheres e homens em relação ao mesmo sexo…" (o grifo é meu)
GANNA, Andrea et al. Large-scale GWAS reveals insights into the genetic architecture of same-sex sexual behavior. Science, v. 365, n. 6456, p. eaat7693, 2019.
Como noticiado no NYT e em diversas outras fontes jornalísticas, esse foi o maior estudo já feito sobre o tema.
Mas não apenas jornalistas, como também outros cientistas também interpretaram assim as descobertas. Por exemplo, essa publicação na Science (o segundo maior periódico científico do mundo):
"Ganna et al. descobriram que a genética poderia eventualmente ser responsável por um limite superior de 8 a 25% do comportamento sexual entre pessoas do mesmo sexo da população. No entanto, quando todos os SNPs que eles identificaram no GWAS são considerados juntos em uma pontuação combinada, eles explicam menos de 1%. Assim, embora eles tenham encontrado loci genéticos específicos associados ao comportamento entre pessoas do mesmo sexo, quando combinam os efeitos desses loci em uma pontuação abrangente, os efeitos são tão pequenos (abaixo de 1%) que essa pontuação genética não pode, de forma alguma, ser usada para prever o comportamento sexual entre pessoas do mesmo sexo de um indivíduo."
A autora atribui o restante a:
"ambientes diretamente compartilhados (como família ou escola) e ambientes não compartilhados (como a legalização ou normas relativas ao comportamento entre pessoas do mesmo sexo)."
MILLS, Melinda C. How do genes affect same-sex behavior?. Science, v. 365, n. 6456, p. 869-870, 2019.
E também esse outro autor:
"Quando os pesquisadores combinaram todas as variantes que mediram em todo o genoma, eles estimaram que a genética pode explicar entre 8% e 25% do comportamento não heterossexual . O restante, segundo eles, é explicado por influências ambientais, que podem variar desde a exposição a hormônios no útero até influências sociais na vida adulta." (o grifo é meu)
KAISER, J. Genetics may explain up to 25% of same-sex behavior, giant analysis reveals. In: American Association for the Advancement of Science. 2019.
"Vários estudos encontraram correlações entre preferências sexuais entre pessoas do mesmo sexo e condições ambientais. Nesse caso, o "ambiente" pode ser o ambiente uterino, referindo-se às condições durante o desenvolvimento fetal, ou o ambiente pode se referir às condições após o nascimento." (o grifo é meu)
COTNER, Sehoya; WASSENBERG, Deena. Is sexual orientation influenced by the environment?. In: COTNER, Sehoya; WASSENBERG, Deena. The Evolution and Biology of Sex. [S. l.]: M Libraries Publishing, 2020. Cap. 12.6. Disponível em: https://pressbooks.umn.edu/ (URL exemplificada).
Estudos anteriores com gêmeos univetinos também já haviam concluído que a genética não determina a sexualidade:
"Embora intervalos de confiança amplos sugiram uma interpretação cautelosa, os resultados são consistentes com efeitos familiares moderados, principalmente genéticos, e efeitos moderados a grandes do ambiente não compartilhado (social e biológico) no comportamento sexual entre pessoas do mesmo sexo." (o grifo é meu)
LÅNGSTRÖM, Niklas et al. Genetic and environmental effects on same-sex sexual behavior: A population study of twins in Sweden. Archives of sexual behavior, v. 39, n. 1, p. 75-80, 2010.
E outros fatores posteriores ao nascimento também foram identificados:
"a não conformidade de gênero na infância e a exposição precoce a eventos traumáticos estão entre as influências ambientais que contribuem para o desenvolvimento da homossexualidade."
AGHA, Michel et al. Biological, Genetic, Neurological and Environmental Influences on Homosexuality–A Narrative Review. Frontiers in Behavioral Neuroscience, v. 19, p. 1574713, 2025.
Eis um estudo um pouco mais antigo, mas também muito bom, que identificou sexualidades diferentes em gêmeos univetinos:
"Quanto aos fatores ambientais que podem estar envolvidos, os autores apontam que estes podem não ser inteiramente sociais, mas também biológicos. Por exemplo, alguns estudos sugerem que a exposição a hormônios pré-natais ou mesmo ao sistema imunológico da mãe pode influenciar o desenvolvimento sexual do feto." (o grifo é meu)
BALTER, Michael. Gay Is Not All in the Genes: Study of thousands of twins reveals important role for environment in homosexuality. Science, 30 jun. 2008. Disponível em: https://www.science.org/content/article/gay-not-all-genes (URL exemplificada).
Dessa vez a ênfase está no ambiente intrauterino, mas perceba que o autor também não descarta o ambiente social.
Então a homossexualidade cientificamente resulta de uma combinação de fatores anteriores e posteriores ao nascimento, que incluem genética, ambiente intrauterino, psicologia e socialização. É por isso que é um erro afirmar que simplesmente se nasce gay. É algo de caráter biopsicossocial.