Quem defende com veemência uma moeda dos BRICS é a Rússia. Isso se dá pelo fato de ter sido cortada do Swift internacional, principalmente por causa da guerra na Ucrânia.
Muitos dos membros dos BRICS possuem falta de segurança jurídica e institucional. A própria falta de transparência da China, incluindo aí o controle de informações, destrói a credibilidade necessária para a criação de uma moeda, ou de uma provável substituição do dólar pelo yuan.
A maior parte do comércio mundial da China é com os Estados Unidos. Além disso, o país mais poderoso dos BRICS, depois da China, é a Índia, países que são adversários.
E não, os Estados Unidos não são o país mais endividado do mundo. Só para citar alguns:
Japão: 204% a 237% do PIB;
Singapura: 171% a 173% do PIB;
Grécia: 136% a 154% do PIB;
Itália: 135% a 138% do PIB.
Os Estados Unidos possuem entre 123% e 125%. Além disso, só citei os países desenvolvidos.
O Brasil hoje deve o equivalente a 81,9% do PIB, e, embora seja bem menor do que a americana, ela é mais perigosa por causa dos juros. A nossa dívida consome 8,8% do PIB em juros, já a deles entre 3,5% e 5%.
Inclua-se aí o fato de eles emitirem a moeda global. Enquanto eles rolam suas dívidas em 10, 20 ou 30 anos, nós precisamos fazer o mesmo em um espaço bem mais curto.
Quando o governo dos Estados Unidos se endivida, ele aumenta os juros de seus títulos para atrair compradores, e, com isso, os investidores tiram dinheiro de países emergentes (incluindo o Brasil) para aplicar nos títulos americanos, considerados mais seguros.
Abraço.