“Deus está morto” não significa simplesmente “Deus não existe”, muito menos que Nietzsche estivesse comemorando a morte literal de uma divindade. É sobretudo um diagnóstico da cultura ocidental.
Nietzsche percebe que a modernidade, com o avanço da ciência, da crítica e da secularização, estava enfraquecendo a fé cristã que durante séculos sustentara boa parte das ideias ocidentais sobre verdade, moral e sentido da existência.
O problema vem depois: se retiramos esse fundamento, sobre o que colocaremos nossos valores? É aí que surge o fantasma do niilismo, a perda de referências últimas, de finalidade e de sentido.
Por isso, “Deus está morto” não é tanto uma comemoração quanto um alerta: derrubamos antigas certezas, mas ainda não sabemos plenamente o que colocar no lugar delas.