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Por um Triz

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Melhor resposta

Vai depender do roteiro e da estratégia de campanha, porque o Oscar não consegue delimitar o que é um coadjuvante...

Um dos filmes que eu mais gosto é A Verdadeira Dor (2024), que é de direção de Jesse Eisenberg que também é co-protagonista, ao lado de Kieran Culkin. Ao assistir, você percebe que o personagem David Kaplan (Jesse Eisenberg) é o “principal” porque a história começa sob perspectiva dele, e o outro personagem Benji Kaplan (Kieran Culkin), apesar de possuir o mesmo tempo de tela que o David, existe para ser auxiliar do David... Que é justamente a ideia de um coadjuvante. Kieran Culkin foi submetido às categorias de Melhor Ator Coadjuvante e inclusive venceu o Globo de Ouro, Critics’ Choice Movie Awards, BAFTA, SAG-AFTRA e Oscar. À medida que Jesse Eisenberg foi submetido nas categorias de Melhor Ator Principal... Mas não foi indicado a nada, de acordo com o que eu me lembro.

Questão de estratégia também... Como Kieran Culkin tinha mais de tempo de tela do que os concorrentes, era melhor que ele fosse indicado a Melhor Ator Coadjuvante. Jesse Eisenberg tinha mais chances em Melhor Roteiro Original, e inclusive venceu o BAFTA na categoria e foi indicado ao Oscar. 

Daí temos o polêmico Emilia Pérez (2024)...

Foi o filme mais polêmico da temporada de premiações daquela edição, é uma delas foi em relação a coadjuvante. Zoë Saldaña interpreta a advogada Rita Mora Castro, que é indiscutivelmente protagonista... O roteiro inteiro é sob perspectiva dela e, de todo o elenco, Zoë Saldaña é a personagem com maior tempo de tela no longa. Porém, Zoë Saldaña foi submetida às categoria de atriz coadjuvante e, assim como Culkin, também gabaritou o Globo de Ouro, Critics’ Choice Movie Awards, BAFTA, SAG-AFTRA e Oscar. Quem foi submetida a categoria de atriz principal foi Karla Sofía Gascón que interpreta a Emilia Pérez que dá nome ao longa... E ainda que ela apareça por menos tempo em relação a Zoë Saldaña, o estúdio responsável pela campanha, que foi a Netflix, justificou que era a protagonista porque o longa recebe o nome dela. O Oscar aceitou...

Outra que “burlou” foi Ariana Grande em Wicked (2024). Você vai perceber que essa edição foi o ano dos coadjuvantes questionáveis...

Os filmes Wicked (2024) e Wicked: Parte II (2025) são adaptação de uma peça de teatro da Broadway que, por sua vez, é adaptação do romance de Gregory Maguire que é uma releitura de O Maravilhoso Mágico de Óz (1900) de L. Frank Baum.

Na Broadway, quem interpretou Elphaba, a Bruxa Má do Oeste e Glinda, a Bruxa Boa do Norte foram respectivamente Idina Menzel e Kristin Chenoweth... E ambas foram submetidas e indicadas ao Tony Awards na categoria Melhor Atriz Principal em Musical, onde Idina inclusive venceu. A academia de teatro é mais rígida do que o Oscar, e eles concluíram que Elphaba e Glinda eram co-protagonistas e deveriam ambas disputar a categoria de atriz principal.

Já nos longas, quem interpretou as duas foram Cynthia Erivo e Ariana Grande. O estúdio poderia ter posto ambas para competir em atriz principal? Poderia... Mas, do ponto de vista da estratégia, não é interessante atrizes do mesmo projeto competirem pelo mesmo prêmio. Então eles puseram Cynthia para competir em atriz principal e Ariana para competir em atriz coadjuvante. Ambas foram indicadas, apesar de não terem vencido. Se tivessem ambas competindo pelo mesmo prêmio, talvez só uma tivesse sido indicada. 

Não que os estúdios não possam submeter os dois co-protagonistas na categoria principal, mas não é estratégico.

Depende bastante...

As categorias de coadjuvante são terreno nebuloso porque a Academia do Oscar não deixa claro quais são os limites de um coadjuvante.

Às vezes o estúdio se baseia até na reputação do ator. Digamos que, no mesmo longa, os co-protagonistas são Anthony Hopkins e Johnny Depp... Analisando o histórico de indicações e vitórias de ambos, quem tem maior probabilidade de vencer? Quem for o nome mais forte, vai para a categoria principal. O nome mais fraco vai para a categoria de coadjuvante porque é menos concorrida. Às vezes pode ter um nome forte, mas, dentro da conjectura e das circunstâncias, ele pode não ser forte o suficiente para a categoria principal... Daí eles jogam para a categoria de coadjuvante e “abrem mão” da de ator principal pondo um novato ou alguém com menos chances individuais — foi o que Emilia Pérez (2024) fez, inclusive... A Netflix considerou que Zoë Saldaña poderia competir contra Ariana Grande, Isabella Rossellini e Monica Barbaro; mas que seria mais difícil competir contra Kate Winslet, Angelina Jolie, Tilda Swinton e Cynthia Erivo, daí colocaram Karla Sofía Gascón para preencher a vaga só por preencher mesmo.

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Teste do sofá.
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Creio que funciona assim, um é escalado como ator principal e o outro protagonista.

E já aconteceu do protagonista ganhar o Oscar de melhor ator e o ator principal não ser premiado.

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