O estado brasileiro considera como profissão. É uma atividade que a pessoa escolhe por vontade própria e que não prejudica ninguém. Pelo menos essa é a versão oficial.
A versão não-oficial (mas amplamente confirmada por investigações e estudos, ao contrário da versão oficial) é que muitas pessoas não se envolvem nisso por vontade própria, mas por extrema vulnerabilidade e necessidade. Muitas outras são simplesmente vendidas ou exploradas por terceiros.
Além disso, pessoas envolvidas na prostituição, especialmente mulheres, são uma população particularmente vulnerável a vários danos à saúde e à integridade física e psicológica. Há prevalências elevadas de depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, ideação suicida e uso de drogas, além de elevada exposição à violência e a outros riscos associados à atividade.
No campo da saúde sexual, prostitutas apresentam uma carga desproporcional de diversas ISTs, incluindo HIV, HSV-2, HPV, sífilis e tricomoníase, e há evidências de que esses riscos não se restringem às próprias prostitutas: homens que pagam por sexo também apresentam prevalências de HIV e outras ISTs superiores às observadas na população geral.
Embora os riscos variem conforme o país, o contexto social, a modalidade de prostituição e outros fatores, o fato é que existe uma associação entre o envolvimento com a prostituição e uma concentração muito elevada, acima da média da população, de problemas de saúde mental, violência, abusos, uso de substâncias e doenças sexualmente transmissíveis.
Poucas coisas são mais degradantes do que isso.