O nome desse fenômeno é betacismo.
Fisiologicamente, você utiliza os mesmos músculos da boca para pronunciar as letras “b” e “v”, e o cérebro humano tende a simplificar esse movimento fundindo os dois fonemas. Na transição do latim para o castelhano, além do catalão, galego e dialetos do sul da Itália, os dois fonemas acabaram se fundindo mesmo... Quando a ortografia do castelhano foi padronizada, eles mantiveram as duas letras diferenciadas apenas por uma questão histórica — pelos mesmos motivos que mantemos o “k”, “w” e “y” no nosso alfabeto sem usar — mas, na prática, tinham e ainda têm o mesmo som.
Inclusive e aliás, aconteceu com o português também... Betacismo é relativamente comum entre os dialetos do norte de Portugal, como Minho, Trás-os-Montes e Miranda do Douro, pela proximidade com a Galiza e Espanha de forma geral. E a língua portuguesa desenvolveu-se no norte de Portugal mesmo, em cidades como Porto e com forte parentesco com o galego. Porém, no sul de Portugal, devido a outras influências linguísticas, os sons das duas letras continuou muito distinto... Quando os centros políticos, econômicos, culturais, acadêmicos e intelectuais portugueses são transferidos para Lisboa e Coimbra, no momento de padronizar a ortografia da língua portuguesa o que aconteceu é que o som manteve-se distinto. Se o centro tivesse permanecido no norte, talvez hoje também tivéssemos o betacismo do espanhol.