Sim, existe romantização da prostituição.
Tem gente aqui no site que gosta de culpar o feminismo por ter aberto a caixa de Pandora e responsabilizar por todos os males que existem no planeta... Se tem uma guerra acontecendo lá nos cafundós do Judas é culpa do feminismo, nesse nível de dissimulação. Porém, neste caso em particular, sim, vias liberais do feminismo contribuíram com a romantização da prostituição.
Concepções liberais do feminismo passaram a tratar prostituição a partir de uma perspectiva de autonomia feminina, escolha e empoderamento. Se uma mulher adulta quer vender sexo, qual é o problema? E trata qualquer crítica à prostituição como paternalismo e/ou conservadorismo.
Infelizmente, essa perspectiva apaga condições materiais que são simbióticas à prostituição. Há mulheres que não estão na prostituição porque querem, mas porque estão em condições de extrema vulnerabilidade ou porque foram forçadas... Existem mulheres, e até mesmo meninas que são sexualmente exploradas. A realidade da prostituição frequentemente envolve tráfico humano e abuso de substâncias ilícitas. Há pessoas que reivindicam que prostituição — ou “trabalhadoras do sexo” — tenham a sua “profissão” regularizada com vínculo empregatício (imagina se cafetão vira patrão), registro em carteira, salário, férias, 13º e, claro, impostos.
Há um abismo entre defender a dignidade das mulheres que são prostitutas no sentido de não desumanizá-las as reduzindo a seres moralmente inferiores e afirmar que se prostituir é um ato emancipatório.