É outro contexto...
Nicolás Maduro teve a sua reeleição extremamente contestada pela comunidade internacional em 2024. Vários países não reconheceram a reeleição de Maduro por falta de transparência e potencialmente fraude... Os EUA não reconheceu, a União Europeia não reconheceu, e até mesmo o Brasil não validou a reeleição de Maduro automaticamente. O processo democrático da Venezuela já era questionado há muito tempo. Quando Trump leva Maduro embora, ninguém se mete...
Apesar dos EUA estarem tentando interferir nas eleições daqui do Brasil e tentarem colocar um governo mais subserviente, defender a mesma tese é mais complicada... Porque, do ponto de vista internacional, o processo democrático do Brasil não é questionado. Ter meia dúzia de boboca bolsonarista falando que teve fraude não reflete o posicionamento da comunidade internacional que enxerga as eleições brasileiras como sendo corretas. E também não estamos diplomaticamente isolados... Apesar de estarem tentando construir essa narrativa devido aos últimos eventos com Argentina, Paraguai e Israel que, esse último, sim, está isolado diplomaticamente; ainda mantemos relações por exemplo com a União Europeia, Canadá e etc. Lula tem boas relações até com os democratas dos EUA que provavelmente devem assumir a predominância no Congresso nas eleições parlamentares que acontecerão em novembro e enfraquecerão o Trump — os republicanos estão bem preocupados, por sinal. Interferir aqui diretamente é mais arriscado.
Não quer dizer que nada vai acontecer, mas são contextos diferentes. É mais difícil deslegitimar a potencial reeleição de Lula do que era Maduro.