Não creio.
A convivência humana exige filtros: omitimos detalhes, suavizamos verdades, escolhemos palavras e, às vezes, até nos enganamos antes de enganar alguém.
E isso não é falta de caráter. Há diferença entre mentir para manipular e poupar alguém de uma verdade desnecessariamente cruel, preservar uma intimidade ou simplesmente não dizer tudo o que pensamos.
Aliás, uma pessoa incapaz de qualquer filtro não seria necessariamente mais virtuosa. Honestidade sem empatia pode virar brutalidade; empatia sem honestidade pode virar falsidade. Talvez o caráter esteja justamente em saber equilibrar as duas coisas.
Ser absolutamente honesto o tempo inteiro parece quase incompatível com ser humano. O que podemos buscar é ser honestos quando realmente importa.