A intenção do autor, João de Patmos, era que Apocalipse fosse um livro sobre justiça e esperança mesmo... É um texto de gênero apocalíptico judaico — assim como Daniel e Enoque — direcionado aos cristãos primitivos da Anatólia que estavam sofrendo perseguição política no século I d.C. na época do Império Romano durante o reinado de Domiciano. E essa sempre foi a interpretação mais tradicional mesmo. Ele tem linguagem bem figurada... Babilônia é Roma; a Besta é o imperador e o culto imperial; os selos são crises políticas do Império; e o Dragão é a imagem espiritual que representa a tirania.
Lá no final do século XIX e início do século XX, quando o dispensacionalismo se desenvolve como doutrina por John Nelson Darby e a publicação da Bíblia de Estudo Scofield que adiciona notas de rodapé que não estão presentes no texto original é que algumas denominações, sobretudo as de caráter pentecostal e/ou neopentecostal, passam a tratar como boletim meteorológico de fim de mundo. Aí virou uma mensagem sobre pânico, medo e histeria... Os símbolos viraram chip da besta, 666, anticristo, vacinas, inteligência artificial, guerras modernas, Israel, sionismo, isso e aquilo outro. A intenção é deixar as pessoas desesperadas mesmo... Porque é esse medo que é explorado por esses líderes para capturar fiéis.