Nos anos 30, a literatura infanto-juvenil de fantasia ainda não era um produto de massa globalizado. Quem consumia tais conteúdos era uma parcela muito específica da população: filhos de famílias de classe média-alta ou alta, que passavam por um sistema educacional extremamente rígido, focado na memorização e em clássicos áridos.
Hoje, a literatura se democratizou. Os livros são escritos para atingir crianças de todas as origens históricas, sociais e de diferentes níveis de fluência linguística. Isso exige uma linguagem mais acessível, mas não necessariamente "burra".
Naquela época, o livro era uma ferramenta para elevar o vocabulário da criança e prepará-la para o mundo adulto. Depois se convencionou que o cérebro das crianças processa melhor narrativas com foco em ação, diálogos rápidos e ganchos dinâmicos.
Além disso, quando o Hobbit foi escrito não havia televisão na maioria dos lares, muito menos internet ou videogames. O livro disputava a atenção com o rádio ou com o tédio. Por isso parágrafos longos e descritivos não eram tão enfadonhos.
Métricas modernas de leitura classificam O Hobbit em um nível equivalente ao fim do 5º até o 7º ano. Crianças continuam lendo o livro hoje. O que mudou é que o estranhamento com o vocabulário se dá porque Tolkien usava termos que já eram considerados arcaicos na própria época dele, por ser um professor de filologia e apaixonado por inglês antigo.