Sim, dois motivos: raciocínio filosófico direto e autoridade das Escrituras.
O raciocínio filosófico é o seguinte: todo comportamento autodestrutivo é errado. Fumar um cigarro é errado porque é algo que faz mal para o próprio corpo. Seria errado mesmo que o próprio fumante fosse o único prejudicado (o que obviamente não é o caso, já que ninguém é uma ilha e vivemos em sociedade). Toda vida humana inerentemente digna e valiosa e aquilo que a prejudica é errado. Se isso não for verdade, todas as políticas de combate ao cigarro e a outros vícios são apenas um moralismo barato e hipocrisia. Pois bem, atos homossexuais são prejudiciais para o próprio corpo do homossexual. Sabemos que o tipo de relação sexual geralmente é praticada por esse público usa um orifício que não foi feito para isso. Não tenho lubrificação natural e é muito mais suscetível a lesões, fissuras, infecções sexualmente transmissíveis, etc. É considerado de alto risco por esse motivo.
O segundo motivo passa pelas Escrituras, que condenam claramente essa prática (Lv 18:22). Alguns podem usar as desculpas de que comer camarão também era proibido, entre outras coisas, mas isso não funciona muito, pois no Novo Testamento a condenação também é afirmada. O Novo Testamento usa as palavras gregas porneia, malakoi e arsenokoitai.
Porneia, segundo o Dicionário Bíblico Strong, abrange uma ampla gama de relações sexuais ilícitas (tendo como pano de fundo tempo de Levítico), entre elas:
"1) relação sexual ilícita
1a) adultério, fornicação, homossexualidade, lesbianismo, relação sexual com animais etc.
1b) relação sexual com parentes próximos; Lv 18
1c) relação sexual com um homem ou mulher divorciada; Mc 10.11-12"
Malakoi vem de uma raiz que significa "mole" ou "macio". Se refere a um homossexual passivo. O BDAG, considerado o melhor léxico do mundo, traduz assim:
"Relativo à passividade em um relacionamento homossexual, efeminado" (p. 544)
Arsenokoitai tem sua origem nos textos de Levítico na Septuaginta:
Levítico 18.22: meta arsenos ou koimēthēsē koitēn gynaikos (“Tu não te deitarás com um macho como com uma mulher”).
Levítico 20.13: hos an koimēthē meta arsenos koitēn gynaikos (“quem se deitar com um macho como com uma mulher”).
Segundo o Dicionário Strong, "alguém que se deita com homem e com mulher, sodomita, homossexual".
Segundo o BDAG:
"Um homem que se envolve em atividade sexual com uma pessoa do mesmo sexo, pederasta" (p. 118)
BAUER, Walter. A Greek-English lexicon of the New Testament and other early Christian literature. University of Chicago Press, 2010.
Assim, dá para perceber também que a narrativa que procura fazer revisionismo com a Bíblia para dizer que não há condenação nenhuma, por conta de supostos erros de tradução, cai por terra.
Também é furado o argumento de que Jesus não falou nada a respeito. Ele condenou a porneia (Mt 15:19), afirmou que casamento é entre homem e mulher, citando o padrão afirmado em Gênesis (Mt 19:4-6), e sempre afirmou a autoridade das Escrituras do Antigo Testamento (Mt 5:17-18; Jo 10:30-33).
Por fim, mesmo que Cristo realmente não tivesse falado nada a respeito, isso seria uma evidência de que ele era contra, não a favor. Podemos saber que o Jesus histórico era contra porque essa era a crença comum de qualquer judeu do século I. Se Jesus fosse contra aquilo que era a crença comum da época, o que se espera é que ele tivesse se pronunciado a respeito, como fez claramente em relação a outros temas relacionados a tradições e crenças dos judeus da época. Até onde sabemos, Cristo era exatamente o tipo que se pronunciava abertamente a respeito daquilo que pensava e não tinha receio de confrontar o erro, justamente por isso foi perseguido e crucificado.
Por fim, penso que quem é ateu e discorda disso, defendendo esses relacionamentos e condenando a homofobia, não tem base nenhuma para isso. Afinal, a história é escrita pelos vencedores, que podem definir qual é o lado certo e o lado errado, e não existe nenhuma base objetiva para dizer que não deva ser assim. A moralidade é apenas uma convenção social, e pode mudar. Não existe base para dizer que a convenção de uma sociedade é melhor que a de outra, ou que a moral de uma época é melhor que a de outra. Também não existe sequer qualquer motivo objetivo e real pelo qual alguém tenha o dever de seguir aquilo que a sociedade determina. Não existe nenhum Deus que defina o que é certo em contraste com o que é errado, portanto a única discussão que existe é entre os teístas. Os ateus não tem nenhuma base para condenar nenhum lado.