A Revolução Francesa até aboliu a escravidão, mas apenas no papel.
"... o momento abolicionista francês era tão frágil quanto dramático. Durante a era da revolução, os escravos seriam libertados depois de anos de lutas em algumas áreas coloniais (São Domingos-Haiti). Em outras (Martinica e Ilhas Mascarenhas), os escravos nunca experimentariam um único ano de liberdade. Em outras mais (Santa Lúcia, Guadalupe e Guiana), a libertação de 1794 seria anulada. [...] Somente no Haiti, onde o poder militar francês e a presença demográfica francesa foram completamente destruídos, é que a escravidão foi definitivamente suprimida."
DRESCHER, Seymour. Abolição: uma história da escravidão e do antiescravismo. Tradução de Antonio Penalves Rocha. São Paulo: Editora Unesp, 2011.
A verdade é que os revolucionários nunca tiveram a capacidade, nem a firmeza moral para abolir a escravidão. As prioridades do revolucionário sempre foram outras. Os conservadores, por outro lado, eram mais estratégicos e tinham uma influência social moderada. Além disso, a abolição sempre exigiu estabilidade institucional e política, enquanto a essência da revolução é justamente desestabilizar tudo. Conservadorismo não defende qualquer tradição. Existem princípios conservadores que se sobrepõe a determinada tradições, como uma ordem moral imutável e uma política de prudência. Não é uma defesa cega de qualquer prática antiga. A escravidão ia contra a ordem moral em que os conservadores acreditavam. Não é sem razão que o fundador do conservadorismo moderno também foi o autor da primeira proposta de abolição gradual da escravidão, por volta de 1780.
Os líderes do movimento abolicionista na Inglaterra e nos Estados Unidos eram conservadores religiosos. William Wilberforce era profundamente religioso e liderou o movimento na Inglaterra. Nos EUA, o movimento chegou a ser composto em sua maioria por clérigos nas décadas de 1830 e 1840. Depois, foi o Partido Republicano que aboliu a escravidão. A Inglaterra ainda criou toda uma estrutura para combater a escravidão em outros países do mundo e foi central para a abolição da prática no mundo todo.
Até mesmo aqui no Brasil, todos os gabinetes que aprovaram as principais leis abolicionistas eram gabinetes do Partido Conservador.
