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atrás em Dúvidas e Opiniões por (401K pontos)

Muitos grupos do Facebook, do Messenger e do WhatsApp não permitem a divulgação de temas relacionados a futebolpolíticareligião e sexualidade.

Eu mesmo sou quadrinista e escritor e não falo desses assuntos em minha obra por causa das proibições. Não estou a fim de ser expulso e bloqueado dos grupos pelos donos (responsáveis).

Tem muitas pessoas fazendo brigas interpessoais e mortais tantas e tão ruins que esse tipo de proibição passou a ser bastante necessário, justo e eficiente. Claro que isso limita demais a criatividade, mas é o jeito. Concorda com essa ideia aí?

2 Respostas

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atrás por (1,4M pontos)
Poderia falar que se trata de um exagero, mas acontece que existem pessoas que não sabem tratar de certos temas com leveza e imparcialidade, portanto, talvez essa proibição seja útil pra certos grupos...

Abração e até uma próxima.
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atrás por (83,3K pontos)
editado atrás por
Creio que essas regras existam para prevenir potenciais discussões. Sei lá, imagina que um artista publica uma charge criticando o comunismo... Aí alguém se sente ofendido e começa a discussão eterna. Ou o contrário... Imagine que alguém escreve uma HQ criticando a família tradicional brasileira, outro ser humano se sente ofendido, e aí inicia-se um debate que não era o foco do grupo. É compreensível.

Porém...

De acordo com inúmeros linguistas, filósofos da linguagem e analistas de discurso a nível de Saussure, Bourdieu, Chomsky, Foucault, Nietzsche, Althusser, Bakhtin, Derrida, Aitchison e entre incontáveis outros autores da crítica de discurso, estruturalismo, pós-estruturalismo e semiótica, não existe nenhum, absolutamente nenhum texto que seja apolítico e/ou isento de ideologia. Todo texto que você produz você vai deixar transparecer visão de mundo, valores, crenças e recortes da realidade... E discursos que você pretende legitimar.

Mesmo se você escrever um texto extremamente técnico, você vai ter que inevitavelmente fazer escolhas... Você vai ter que definir público-alvo, partir de pressupostos, selecionar (que implica também em omitir) informações e hierarquizá-las, adotar determinado estilo de linguagem, e entre inúmeras outras coisas que também são todas ideológicas. Não existe neutralidade absoluta... Mesmo o conceito de neutralidade é ideologicamente construído. Quem diz que não é e/ou não está sendo ideológico, geralmente apela para a ilusão naturalista. Ninguém toma decisões num vácuo.

Então, se você constrói um espaço onde você valida somente a arte que é apolítica, higienizada e moralmente padronizada, você está, paradoxalmente, tornando a arte política também. Quando você decide que a arte deve ignorar conflitos sociais e/ou políticos, você está sendo ideológico... Não tem para onde correr. Nem mesmo uma fotografia, que captura a luz que atingiu o sensor naquele instante, é somente um registro mecânico... Há autores como Roland Barthes e Susan Sontag que vão explorar como até fotografias constroem sentido e estão inseridas dentro de um contexto histórico, social e político, e como pessoas podem chegar em conclusões diferentes da mesma imagem.

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