De acordo com a ex-primeira-dama, nos vídeos publicados em suas redes sociais, deve-se à divergências estratégicas. No Ceará, o governador Elmano Freitas (PT) irá disputar reeleição... E irá disputar contra Ciro Gomes (PSDB), da oposição. Alguns colegas de partido, incluindo o deputado federal André Fernandes (PL-CE), disseram que apoiarão a candidatura de Ciro Gomes para evitar que o governador petista se reeleja. Porém, Michelle Bolsonaro não concordou... Primeiramente porque Ciro Gomes já a atacou pessoalmente e a família dela, incluindo o marido Jair Bolsonaro, várias vezes; e segundo porque o senador Eduardo Girão (NOVO-CE) também é pré-candidato a governador do estado e é ideologicamente mais alinhado ao que o bolsonarismo representa enquanto movimento político. No primeiro turno, Michelle não apoia tal coalizão. Ao informar ao enteado, senador e pré-candidato a Presidente da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a ex-primeira-dama diz ter se sentido humilhada, desrespeitada e menosprezada quando Flávio a mandou ficar isenta de assuntos políticos porque “entendia nada” e “chegou ontem” — tanto é que o vídeo de Michelle começou se justificando a partir de sua trajetória política como dirigente nacional do PL Mulher, como conseguiram diminuir a rejeição do bolsonarismo entre o eleitorado feminino, e como o líder Jair Bolsonaro a deu essa missão e etc.
Não é de hoje que o bolsonarismo é alvo de críticas sobre ser um movimento excessivamente misógino... Michelle Bolsonaro não é a primeira a ser menosprezada dessa maneira e certamente não será a última. Porque a misoginia faz parte do discurso intrínseco do movimento bolsonarista, só cego não enxerga.
Essa é a versão oficial dos fatos. Mas é possível fazer uma análise dos fatos...
O bolsonarismo enquanto movimento político é extremamente personalista... Ou seja, ele construiu a identidade política dele ao redor de um líder, Jair Bolsonaro. Enquanto o líder está presente, o movimento está estável. Quando o líder ausenta-se, as diferenças que já existiam começam a evidenciarem-se... E as pessoas passam a reivindicar a herança do capital político desse líder. Quando o PL enquanto partido toma a decisão de lançar Flávio Bolsonaro como candidato a Presidente da República, ele está herdando ou tentando herdar o capital político do pai. Nem todos do partido aprovam a decisão, incluindo a própria Michelle Bolsonaro que, apesar de negar no vídeo, é provável que tivesse ambições de se lançar como candidata ou pelo menos como vice de uma chapa. Michelle é influente entre o eleitorado feminino e evangélico, à medida que Flávio é predominante entre homens. Os dois agora estão medindo força política... Esse vídeo de Michelle é uma projeção para uma potencial candidatura própria, que pode não viabilizar agora em 2026, mas pode vir a acontecer em 2030.
Falta um mês para a oficialização de Flávio Bolsonaro como candidato à Presidente da República... Mas, como eu disse, muitas pessoas do próprio PL não concordam ainda com essa candidatura, ainda não está claro quem será o(a) vice para constituir chapa, e muitos já consideram que Flávio está desgastado pelos últimos escândalos e que esse vídeo de Michelle possa ter contribuído para desgastar ainda mais. Vai dar um trabalho. Vamos acompanhar os próximos capítulos.