No romance O Conto da Aia (1985) de Margaret Atwood existe uma personagem que é Serena Joy Waterford.

Na história, Serena Joy começa como ativista conservadora... Ela escreve e publica em defesa de pautas conservadoras, até o momento em que instaura-se a República de Gilead, um regime de caráter fundamentalista cristão e que, em reação às crises de fecundidade e natalidade, algumas mulheres férteis são selecionadas para se tornarem aias, que são como escravas reprodutoras. Porém, mulheres como Serena Joy ainda mantém sua posição de status porque são mulheres de homens poderosos. Serena Joy é mulher do Comandante Waterford... Inicialmente apoia Gilead e ajuda a construir aquele sistema, mesmo que ela perca o direito de trabalhar, ler, escrever, estudar e administrar o próprio dinheiro.
Na adaptação para a televisão, Serena Joy é interpretada pela atriz Yvonne Strahovski. Um dos momentos mais marcantes da personagem para a série é quando ela reivindica maior participação feminina para a política daquele país, e percebe que os homens não estão dispostas a ouvi-la... E para piorar, Serena Joy lê a Bíblia em público para justificar sua posição e desrespeita uma das leis daquele novo Estado.

No bolsonarismo, existem várias mulheres como Serena Joy. Michelle Bolsonaro foi apenas a mais recente... Mas, antes dela, já existiram Joice Hassellmann, Sara Winter, Carla Zambelli e Ana Campagnolo. Elas são descartáveis para a extrema-direita. As mulheres conservadoras defendem um discurso de submissão feminina... E a consequência desse tipo de discurso é clara. A vida imita a ficção.