Como você deve ter percebido, esse termo “judaico-cristão”, principalmente quando precedido no sentido “moral judaico-cristã”, apresenta carga ideológica enorme...
Ele já era usado em outros contextos, porém, a partir da década de 1950 durante a Guerra Fria, autores como Dwight D. Eisenhower empregaram o termo para descrever os fundamentos morais da democracia americana e construir uma identidade por contraste ao comunismo ateu e enfatizando valores compartilhados como dignidade humana, justiça, Dez Mandamentos, ética profética, e etc. A ideia de uma tradição “judaico-cristã” unificada é relativamente recente mesmo... É uma forma sutil de supersessionismo que convenientemente apaga séculos de relações marcadas por conflitos, perseguições e exclusão dos judeus em sociedades cristãs.
Desde então, é um discurso que foi instrumentalizado. Principalmente entre os conservadores americanos, e também os brasileiros que importam as pautas lá dos EUA, se tornou ferramenta para definir o Ocidente em oposição a outros grupos religiosos e/ou culturais, principalmente muçulmanos... Nesse contexto, o termo frequentemente funciona mais como uma bandeira identitária do que como uma descrição histórica precisa.