Existem dois conceitos interessantíssimos de Pierre Bourdieu que são amnésia da gênese e ilusão naturalista.
Algumas convenções sociais, como determinadas hierarquias, desigualdades e privilégios, conseguem se consolidar e solidificar a partir de processos históricos. Quando nos esquecemos da origem delas, a amnésia da gênese propriamente dita, temos uma tendência a naturalizá-las... E aí surge a ilusão naturalista, porque passamos a acreditar que essas convenções que são na verdade produtos de uma cultura, são parte da natureza inata de algo ou alguém. Justificamos a manutenção dessas normas a partir de aspectos biológicos (ex: “nasceu com esse dom”) ou até mesmo divinos (ex: “é vontade de Deus”).
Muitas das coisas que consideramos parte de uma “ordem natural”, “ordem divina”, “verdade transcendente” e/ou “fatos auto-evidentes” são, na verdade, produtos de estruturas de privilégios e interesses políticos.