O seu amigo e a sua amiga estão certos, mas eles estão falando de dois tipos diferentes de realismo.
Existe o realismo psicológico e humano, que é sobre o herói se parecer com a gente nos sentimentos, defeitos e problemas do dia a dia, e existe o realismo científico, que é o quanto os poderes e equipamentos respeitam as leis da física e da biologia. Se o foco for o lado humano, nenhum dos dois ganha: o herói mais realista da ficção é o Homem-Aranha. Ele não é um bilionário intocável, nem alguém nascido com poderes quase divinos e praticamente perfeito. Ao invés disso, é um cara comum que sofre para pagar o aluguel, limpa a própria fantasia no tanque, fica gripado e lida com dramas familiares que qualquer um de nós enfrenta. Hulk e Demolidor também seriam bons exemplos, mas ainda não são tão realistas quanto o Homem Aranha.
Por outro lado, se a gente olhar pelo lado das ciências da vida real, tanto o Batman quanto o Arqueiro Verde estourariam as leis da física e da biologia em cinco minutos de briga de rua (nenhum corpo humano aguentaria aquele impacto diário, por mais treinado que fosse). Nesse sentido puramente técnico, os heróis mais realistas são aqueles que apenas usam tecnologia militar ou física aplicada que já existe ou está perto de existir no nosso mundo. O Justiceiro (Punisher), que depende só de armas convencionais e tática de guerrilha real, ou o Kick-Ass, que apanha, vai parar no hospital com fraturas sérias e precisa de pinos de metal no corpo para aguentar o tranco, são exemplos muito mais fiéis ao que aconteceria de verdade na nossa realidade. Ainda assim, o Justiceiro é considerado anti-herói (por matar os vilões) e não meramente herói.