A sua lógica está totalmente invertida e contraditória. Você diz que o respeito às pessoas deve vir antes da religião, mas esquece que respeitar as pessoas significa, fundamentalmente, respeitar a liberdade delas de viverem segundo suas crenças. Respeitar não é apenas tolerar o que você concorda, mas também é aceitar que o outro tem o direito de guiar sua vida, sua família e seus negócios por princípios que você discorda.
No contexto do casamento gay, o seu argumento perde o sentido. A verdadeira intolerância hoje parte da militância. Como mostrei na minha resposta, a união estável já garante direitos práticos como herança e adoção. Nenhuma liberdade fundamental dos homossexuais está em risco. Já o casamento civil igualitário cria um conflito assimétrico: ele obriga o cidadão religioso e conservador a trair suas convicções mais sagradas ou ser esmagado economicamente, demitido e banido da esfera pública. Quem não está respeitando os direitos alheios aqui é você, ao exigir que os religiosos criem uma identidade artificial e "deixem sua fé em casa" para não serem punidos pelo Estado.
Uma religião genuinamente boa, e o cristianismo em especial, prega o amor ao próximo e a dignidade humana. Isolar os piores erros de indivíduos para demonizar a fé é pura falácia. Se formos olhar para o histórico de quem rejeitou a religião, os resultados são infinitamente piores: os regimes comunistas, fundamentados no ateísmo estatal, e as pautas do feminismo radical ceifaram e destroem muito mais vidas humanas do que todos excessos religiosos em toda a história.
Por fim, você mudou o discurso de forma conveniente. Primeiro, tentou associar o conservadorismo e a religião à escravidão. Quando lembrei que foram justamente os religiosos e conservadores que lideraram a abolição, você recuou e mudou o foco para casos extremos e isolados para tentar salvar seu ponto, e para não ser confrontado com o fato de que foi justamente a influência religiosa na esfera pública que acabou com a escravidão. Essa mudança conveniente mostra que o seu problema não é com o "bom senso", mas sim com a incapacidade de aceitar que a liberdade religiosa é um direito humano que não pode ser atropelado por conveniência ideológica.