A principal diferença está em como cada grupo se adaptou ao ambiente onde vive:
Profundidade, luz e pressão
Polvos de águas rasas: vivem geralmente até algumas dezenas de metros de profundidade, em regiões costeiras, recifes, pradarias de algas etc. Há bastante luz, variação de temperatura e menos pressão.
Polvos de águas profundas: vivem centenas a milhares de metros abaixo da superfície, em ambiente escuro (ou totalmente sem luz), frio e com pressão enorme e constante.
Corpo e aparência
Águas rasas:
Têm cores bem variadas (marrom, vermelho, verde, azul, amarelo).
Possuem cromatóforos (células de pigmento) muito ativos, mudando de cor e textura rapidamente para camuflagem.
Olhos “normais” para enxergar em ambiente com luz.
Águas profundas:
Geralmente são mais pálidos, avermelhados, arroxeados ou transparentes, porque cor não faz tanta diferença na escuridão.
Alguns têm corpo mais “gelatinoso” ou mole, o que ajuda a aguentar a pressão.
Olhos muitas vezes grandes ou com formatos estranhos, otimizados para captar qualquer mínimo vestígio de luz.
Alguns têm nadadeiras tipo “orelhinhas” (ex.: polvo Dumbo), nadando mais como um peixinho do que rastejando.
Comportamento e locomoção
Águas rasas:
Caminham bastante pelo fundo com os braços, explorando tocas, rochas e corais.
Usam jatos de água para fugir rápido.
Dependem muito de camuflagem visual (cor e textura) para se esconder de predadores como peixes, moreias, etc.
Águas profundas:
Muitos nadam de forma mais lenta, “planando” na água para economizar energia.
Podem ser mais “calmos” e econômicos nos movimentos, porque o alimento é mais escasso.
Vários têm estratégias menos baseadas em cor e mais em forma/bioluminescência ou em ficar imóveis.
Alimentação
Águas rasas:
Caçam caranguejos, camarões, peixes pequenos, moluscos, mexilhões, etc.
Costumam ter acesso a mais presas e precisam disputar com muitos outros predadores.
Águas profundas:
Comem pequenos crustáceos de profundidade, peixes de águas profundas e o que mais aparecer, às vezes inclusive “neve marinha” (restos orgânicos que caem das camadas superiores).
Precisam lidar com longos períodos com pouco alimento, então tendem a ser mais eficientes energeticamente.
Reprodução e ciclo de vida
Em geral, todos os polvos têm vida relativamente curta, mas:
Águas rasas:
Muitas espécies vivem 1–2 anos.
Colocam ovos em tocas e a fêmea cuida ativamente deles até morrer.
Águas profundas:
Algumas espécies podem ter períodos de cuidado parental muito longos (há registros de fêmeas de polvos de profundidade cuidando de ovos por mais de 4 anos).
Crescimento e metabolismo costumam ser mais lentos por causa da temperatura baixa e do pouco alimento.
Interação com o ambiente e com humanos
Águas rasas:
São os que a gente vê em mergulho, aquários e documentários costeiros.
Enfrentam mais perigos ligados à pesca, poluição, turismo, destruição de recifes.
Águas profundas:
Raramente vistos; muitos foram filmados só nas últimas décadas com submersíveis.
São menos afetados diretamente por pesca costeira, mas podem sofrer com pesca de arrasto de profundidade, mineração submarina e mudanças gerais do oceano (temperatura, oxigênio).