A autoria do Auxílio Emergencial em 2020 não pertence a uma única pessoa ou poder, mas sim a uma construção coletiva e intensa negociação entre a Câmara dos Deputados, o Senado e o Governo Federal.
Para entender de quem foi o projeto, vale a pena dividir em três etapas práticas:
1. A Iniciativa na Câmara (O Projeto Base)
A aprovação do auxílio se deu por meio do Projeto de Lei nº 9236/2017, de autoria do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG). Esse projeto originalmente tratava de outra coisa (alterações no Benefício de Prestação Continuada - BPC), mas foi utilizado pela Câmara como a "instituição jurídica" para acelerar a criação do benefício pandêmico.
O relator desse projeto na Câmara foi o deputado Marcelo Aro (PP-MG), que liderou a costura política com partidos de esquerda, centro e direita para unificar mais de 20 propostas que corriam em paralelo na casa pedindo uma renda básica para os informais.
2. A Disputa dos Valores (O Executivo vs. Legislativo)
Houve um embate público muito marcante sobre o valor do benefício:
Governo Federal (Equipe Econômica): Inicialmente, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o governo enviaram uma proposta informal de R$ 200,00.
Congresso Nacional: Os parlamentares (tanto da oposição quanto do centro) pressionaram dizendo que o valor era insuficiente, sugerindo R$ 500,00.
No dia da votação, para não perder o protagonismo da medida, o governo recuou e o presidente Jair Bolsonaro deu aval para fechar o valor em R$ 600,00, que acabou sendo aprovado por unanimidade no plenário.
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Bolsonaro era contra o auxílio emergencial no início, e só assinou quando conseguiu entender que isso era uma jogada, iriam mesmo associar o governo dele com o auxílio